<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>&#34;Esperando pela Chuva&#34; ou &#34;Enxergando Pelo Lado Positivo&#34;</title>
	<atom:link href="http://willdalosto.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://willdalosto.wordpress.com</link>
	<description>Uma Vez Bom-Moço, Sempre Bom-Moço...</description>
	<lastBuildDate>Fri, 27 Nov 2009 03:34:14 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<cloud domain='willdalosto.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://www.gravatar.com/blavatar/1bf61c08dffe65a301d756a4a918d0b9?s=96&#038;d=http://s.wordpress.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>&#34;Esperando pela Chuva&#34; ou &#34;Enxergando Pelo Lado Positivo&#34;</title>
		<link>http://willdalosto.wordpress.com</link>
	</image>
			<item>
		<title>Uterus (I)</title>
		<link>http://willdalosto.wordpress.com/2009/11/26/uterus/</link>
		<comments>http://willdalosto.wordpress.com/2009/11/26/uterus/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 18:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>willdalosto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Sentido da Vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://willdalosto.wordpress.com/?p=314</guid>
		<description><![CDATA[O que compõe uma vida decompõe outra, e não se trata aqui de algo divino.
Tudo começou com repentinos sangramentos. Todo o procedimento nos médicos foi ágil, e em questão de dias a biópsia apontou o tumor maligno na região do útero. Intervenções cirúrgicas foram descartadas em virtude da situação quase nonagenária da nossa matriarca familiar.
Hoje [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=314&subd=willdalosto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>O que compõe uma vida decompõe outra, e não se trata aqui de algo divino.</em></p>
<p>Tudo começou com repentinos sangramentos. Todo o procedimento nos médicos foi ágil, e em questão de dias a biópsia apontou o tumor maligno na região do útero. Intervenções cirúrgicas foram descartadas em virtude da situação quase nonagenária da nossa matriarca familiar.<br />
Hoje em dia, o avanço quase milagroso da medicina tende a nos fazer a subestimar nossas patologias como um todo, principalmente quando quem está sofrendo com isso não é você mesmo. Essa situação foi alimentada pelos tantos meses que ela ainda conviveu de modo relativamente normal, com a única diferença nas sessões, três vezes por semana, de radioterapia (mais um avanço,  muito menos agressivo do que a famigerada quimio) na Santa Casa, aqui em Porto Alegre.<br />
Mas em Setembro começou para valer.</p>
<p>Repentinas dores intensas que ela reclamava vir de dentro dos ossos dos braços e pernas. Meu mau-pressentimento foi confirmado quando da internação dela no Hospital Militar: apesar de todos os esforços estava ocorrendo uma metástase, já em estado avançado.</p>
<p>O Hospital Militar atual foi inaugurado pelo Getúlio Vargas na época da segunda-guerra mundial e de lá para cá não mudou absolutamente nada: bancos de pedra no corredor, ladrinhos azuis-celeste, janelões enormes (em prol da boa política de arejamento) e capelinha no fim do corredor (acho que alguns funcionários são os mesmos ainda também). Uma característica interessante é a adoção de patentes entre essas pessoas: as enfermeirinhas jovens são soldados, as enfermeiras-chefes são sargentos; médicos, até onde vi são todos tenentes; além dos demais encarregados de outras tarefas, a grande maioria soldados também.</p>
<p>Um desses, mais jovem do que eu mesmo, trazia as refeições para o quarto de minha avó em um ritual particularmente divertido, tanto que ela mesma fazia troça: o mesmo vinha quase marchando, carregando um enorme bandeijão de metal &#8211; dos tempos da guerra – em uma altura acima da cabeça (e ele já era alto), parava empertigado em frente a cama, com uma mão equilibrava a bandeija e com a outra puxava o suporte para a mesma. Tudo de uma forma muito militar. A altura do mesmo, e sua prática de elevar tanto aquele objeto deveria, imagino, vir da vergonha de carretear uma bandeija tão grande para tão pouca comida. Após servir a refeição o soldadinho girava nos calcanhares e saia em marcha acelerada, de repente para tentar evitar escutar a velha paciente resmungando: “<em>mas eles não tem vergonha?&#8230;caldinho miserável</em>”.</p>
<p><em>Hospitais em si funcioanam da forma usual porque, em minha opinião, procuram se livrar do paciente da forma mais rápida possível, por bem ou por mal – ou vai ou racha. Cura ou Morte. É a única explicação que formulo para serem tão desagradáveis; até mesmo alguns (poucos) cemitérios são menos desagradáveis.</em></p>
<p>Meu divertimento não durava muito, pois logo após ela se virava para mim e dizia: “<em>William, me ajuda a comer isso: bebe esse café com leite.</em>”; ao que eu jamais neguei, por pena – mesmo que aqueles cafés tenham sido os mais ordinários e asquerosos de toda a minha vida, tanto que poderiam mesmo até fazer um fumante parar com o vício, muito alimentado da dualidade com o consumo de café. </p>
<p>Aqueles primeiros dias não foram tão horríveis quanto poderiam ser. O problema começou mesmo quando começou a fase dos delírios dela: certa vez ligou para aqui em casa&#8230;.às 4h30 da manhã reclamando, de forma inconsistente, que era tudo mentira, que tudo não passava de um plano para se livrar dela, que era uma ingratidão, que ela havia criado duas gerações da família, e por aí ia. Começou a tratar terrivelmente mal os parentes que revezavam a atenção a ela no Hospital. Esse intevalo de dias eu não presenciei, pois estava trabalhando em cima do meu projeto de monografia da faculdade, que já estava atrasado por sinal, em vitude da crise familiar. </p>
<p><em>Nós nunca escondemos dela a gravidade da situação, que ela estava muito doente&#8230;claro que nunca dizemos francamente que estavamos lá essencialmente esperando ela morrer, mas realmente aquelas acusações vinham de uma mente adoecida, era o que se podia pensar, é o que preferimos pensar até hoje.</em></p>
<p>A coisa piora ainda mais quando ela diz só acreditar que ela realmente precisa estar no hospital se eu fosse lá dizer, porque só confiava em mim, que eu não mentiria para ela, ou coisa parecida. Emburrado eu fui, achando que os demais parentes estavam exagerando um bocado; quando cheguei lá, após o intervalo de alguns poucos dias sem entrar naqule quarto, eu tive o maior choque da minha vida: aquela senhora, por toda a vida sempre gordinha, parecia ter emagrecido uns 30kg e suas veias estavam muto inchadas, principalmente nos braços. </p>
<p><em>Esse caráter de algo próximo a “neto preferido” eu imagino que tenha sido construido, psicologicamente, pelo fato dela perder o único filho homem, um tio &#8211; irmão mais velho da minha mãe, em 1971, e nunca ter superado completamente (e quem poderia culpar ela?). Acrescente a isso o fato de que, quando era pequeno, minha mãe estava fazendo faculdade, com pai o dia fora trabalhando. E isso resultou em? Sim, fui praticamente criado por ela por metade da infância.  </em></p>
<p>Com a sensação de ter recebido um soco no peito ainda fiquei firme, mas toda a fortaleza se foi quando ela começou a falar que tinham colocado ela dentro de um túnel branco todo cheio de luz (a máquina de radioterapia), que queriam matar ela&#8230;entre outros absurdos que prefiro não lembrar. Soltei lágrimas pela primeira vez desde, provavelmente, os 7 anos de idade. Me dei conta que posso ver uma pessoa perdendo sua saúde física, pouco me afeta &#8211; mas assistir a sanidade mental de alguém que sempre teve um raciocínio tão apurado se esvair daquela forma foi extremamente horrível. Como um fim de vida pode ser tão humilhante!<br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br />
Acordo mau-humorado com o quarto sendo iluminado pelo dedo da enfermeira no interruptor. Esse humor é reforçado pelo péssimo sofá-cama ao qual estou pernoitando. São 3:47 da manhã, hora que a enfermeira julgou apropriado para mais uma das infinitas injeções de substâncias que propiciam o bem-estar a pacientes terminais.<br />
Minha visão se desvia da enfermeira para a grande cama de ferro do outro lado do quarto; minha avó só não reclamou daquele brusco despertar porque muito provavelmente nem tinha mais forças para isso, além de quê, qualquer tipo de reclamação já vinha por instinto natural, visto ela estar 90% do tempo desacordada de tão sedada. As consequências naturais da doença, e mais de dois meses de internação estavam vencendo aquele velho corpo.<br />
Aquele Novembro foi muito diferente deste que vivenciamos em Porto Alegre, com chuvas históricas e sensação de abafamento, aquele foi seco e com noites agradáveis. Convencido de que eu não ia mais conseguir dormir, fui caminhar pelo enorme corredor. Mal cheguei a porta dei de cara com dois enfermeiros empurrando uma maca pelo corredor com alguém deitado em cima, completamente tapado por um lençol branco.<br />
<em>Eu estava cercado.</em></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/willdalosto.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/willdalosto.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/willdalosto.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/willdalosto.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/willdalosto.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/willdalosto.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/willdalosto.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/willdalosto.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/willdalosto.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/willdalosto.wordpress.com/314/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=314&subd=willdalosto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://willdalosto.wordpress.com/2009/11/26/uterus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/444f5c00a3660beea05f01cf88095256?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">willdalosto</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Começo de Verão (Antecipado)</title>
		<link>http://willdalosto.wordpress.com/2009/10/31/comeco-de-verao-antecipado/</link>
		<comments>http://willdalosto.wordpress.com/2009/10/31/comeco-de-verao-antecipado/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 18:02:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>willdalosto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://willdalosto.wordpress.com/?p=312</guid>
		<description><![CDATA[Enquanto o sono não vem, nos debatemos apunhalados pelo cruel calor fora de época de uma noite de primavera.
Vira-se de de um lado a outro, naquele perturbador “delírio” que há entre a consciência e o sono. “Não encontro uma solução para um problema deste lado, vou tentar achar do outro então”.
Muitas vezes a posição mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=312&subd=willdalosto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Enquanto o sono não vem, nos debatemos apunhalados pelo cruel calor fora de época de uma noite de primavera.<br />
Vira-se de de um lado a outro, naquele perturbador “delírio” que há entre a consciência e o sono. “Não encontro uma solução para um problema deste lado, vou tentar achar do outro então”.<br />
Muitas vezes a posição mais cômoda não é nem uma nem outra, e sim levantar, tomar um copo de água e, a partir desse momento, observar tudo de uma distância considerável. Abrir as janelas, constatar que o mundo continua lá fora, não sendo apenas uma vaga lembrança do dia anterior (não se demorando muito nessa ação, pois os mosquitos não esperam convite).<br />
Após essas ações retoma-se para a cama, em uma nova batalha calorenta de delírio versus consciência, enquanto o sono não vem. </p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/willdalosto.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/willdalosto.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/willdalosto.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/willdalosto.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/willdalosto.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/willdalosto.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/willdalosto.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/willdalosto.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/willdalosto.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/willdalosto.wordpress.com/312/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=312&subd=willdalosto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://willdalosto.wordpress.com/2009/10/31/comeco-de-verao-antecipado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/444f5c00a3660beea05f01cf88095256?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">willdalosto</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Fim de Inverno</title>
		<link>http://willdalosto.wordpress.com/2009/09/30/ventania-2/</link>
		<comments>http://willdalosto.wordpress.com/2009/09/30/ventania-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 23:13:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>willdalosto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://willdalosto.wordpress.com/?p=306</guid>
		<description><![CDATA[Um velho rascunho amarelado retrabalhado<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=306&subd=willdalosto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Sentindo os pés gélidos – apesar das botas de couro e das grossas meias que ostentava (isso sem falar do fato do inverno ter oficialmente acabado) – flanava por aquela rua do Centro da cidade (estranhamente vazia), naqueles últimos dias de Setembro. Seus cabelos cuidadosamente descuidados se deliciavam com a constante ventania que – prenunciando vindouros dias mais claros e mais longos – dava seu ar da graça naquele gracioso fim de tarde.<br />
O som dos passos soavam de forma rítmica na calçada. Meio satisfeito, meio insatisfeito…não sabia com certeza como estava; mas era certo que faltava algo desconhecido para preencher algo incerto.<br />
Encostando-se em uma parede mais ou menos limpa (paredes limpas eram extremamente raras naquela cidade, por isso cuidava para não sujar o sobretudo) fitava com curiosidade espécimes da civilização local…por exemplo, um engraxate com uma perna mais curta do que a outra (não veio lhe oferecer seus serviços… realmente deveria estar parecendo ameaçador totalmente vestido de preto – ele pensou; mesmo que na realidade o engraxate tivesse vestido seus tênis velhos) que caprichosamente mancava, sem pisar em nenhum dos vãos das pedras do calçamento (este detalhe em particular lhe chamou a atenção). Logo adiante, uma motocicleta barulhenta trespassava um semáforo fechado, para pavor e revolta dos apressados passantes da faixa de segurança…e ali, na esquina, um casal apaixonado se beijava fervorosamente, alheios a todo resto – sim, pois a eles a cidade que os cercava era de infinita irrelevância (apesar do já citado frio, que a emprestava um certo charme).<br />
Adorava aquelas ruazinhas próximas do porto. Na esquina seguinte (aonde o casal havia a pouco desaparecido) vislumbrou os velhos, abandonados e enferrujados guindastes…quando uma rajada de vento frio e cortante fez seus cabelos taparem sua visão momentaneamente : “nada mais simbólico&#8230;.é como um aviso para respeitar a decadência alheia”, pensou. Observou o lado oposto ao porto, notando o grande e antigo prédio rosa ao fim da rua. Eis que, satisfeito consigo mesmo, entendeu o que necessitava para preencher aquele incômodo vazio : “Preciso de chocolate quente…com creme batido…e acima de tudo: necessito do calor <em>dela</em>”.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/willdalosto.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/willdalosto.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/willdalosto.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/willdalosto.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/willdalosto.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/willdalosto.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/willdalosto.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/willdalosto.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/willdalosto.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/willdalosto.wordpress.com/306/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=306&subd=willdalosto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://willdalosto.wordpress.com/2009/09/30/ventania-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/444f5c00a3660beea05f01cf88095256?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">willdalosto</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Ensaio para o Meio do Fim</title>
		<link>http://willdalosto.wordpress.com/2009/08/31/ensaio-para-o-meio-do-fim/</link>
		<comments>http://willdalosto.wordpress.com/2009/08/31/ensaio-para-o-meio-do-fim/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 22:23:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>willdalosto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biblioteconomia]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://willdalosto.wordpress.com/?p=302</guid>
		<description><![CDATA[As pessoas na fila se agitavam de calor, naquele corredor aveludado que ostentava toda a pompa universitária sublimada do pretenso conhecimento humano adquirido. Beber dessa fonte não era eficaz para aplacar a sede. “Quem dera um copo d’água”, pensava eu.
Cronometragem estabelecida, todos cientes dos determinados segundos para chegar aos nossos lugares em cima do palco, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=302&subd=willdalosto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>As pessoas na fila se agitavam de calor, naquele corredor aveludado que ostentava toda a pompa universitária sublimada do pretenso conhecimento humano adquirido. Beber dessa fonte não era eficaz para aplacar a sede. “Quem dera um copo d’água”, pensava eu.<br />
Cronometragem estabelecida, todos cientes dos determinados segundos para chegar aos nossos lugares em cima do palco, seguido do canto ao hino e ao começo dos trabalhos. Conforme o som espalhado pelo microfone, mais contagem de segundos: rumo à mesa da reitoria, após o chamado, a execução da música – que você nem escuta na hora, tamanho nervosismo (experiência adquirida na formatura do Segundo Grau).<br />
Seres imaginários atrás da mesa, pois &#8211; de fato &#8211; não há ninguém ainda. O tempo ruge, devo caminhar agilmente para o púlpito e dizer algo teoricamente interessante para cerca de mil pessoas durante 1 minuto. Após, chamo o colega seguinte, seguido de um abraço protocolar e retorno para a cadeira, onde devo ficar mais alguns minutos sorrindo amarelo.</p>
<p><em>O ensaio está pronto, será assim e não assado&#8230;.claro, desconsiderando o grau de dificuldade aumentado por, na ocasião futura, estar amarrado a uma toga que esconde um terno com uma sufocante gravata&#8230;além de sufocantes anseios e esperanças para o futuro. </em></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/willdalosto.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/willdalosto.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/willdalosto.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/willdalosto.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/willdalosto.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/willdalosto.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/willdalosto.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/willdalosto.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/willdalosto.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/willdalosto.wordpress.com/302/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=302&subd=willdalosto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://willdalosto.wordpress.com/2009/08/31/ensaio-para-o-meio-do-fim/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/444f5c00a3660beea05f01cf88095256?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">willdalosto</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Os amigos e inimigos da felicidade moderna (I)</title>
		<link>http://willdalosto.wordpress.com/2009/07/14/os-amigos-e-inimigos-da-felicidade-moderna-i/</link>
		<comments>http://willdalosto.wordpress.com/2009/07/14/os-amigos-e-inimigos-da-felicidade-moderna-i/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 04:38:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>willdalosto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://willdalosto.wordpress.com/?p=300</guid>
		<description><![CDATA[Sentiu uma &#8230;uma coisa&#8230;.não, não sabia explicar ao certo, mas tinha a ver com a perda total do encanto que o mundo exercia sobre a criança que ele tinha sido um dia. Tal força foi minando aos poucos a energia vital advinda daquela tenra e terna época, até o momento em que nada mais restou. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=300&subd=willdalosto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Sentiu uma &#8230;uma coisa&#8230;.não, não sabia explicar ao certo, mas tinha a ver com a perda total do encanto que o mundo exercia sobre a criança que ele tinha sido um dia. Tal força foi minando aos poucos a energia vital advinda daquela tenra e terna época, até o momento em que nada mais restou. Nada, a não ser aquela cartela milagrosa de cápsulas de embalagem tarja preta.</p>
<p>Eis que havia decifrado e resumido toda a sequência lógica de sua vida, finalmente, só restava agora saber o que fazer com aquele conhecimento recentemente adquirido. Oferecer-se como um garoto propaganda daquele conhecido Laboratório Químico não era uma idéia tão absurda como – em princípio –  tinha parecido a ele. “Nos desculpe, mas precisamos de um rosto mais famoso, e com maior apelo..”, haviam respondido à sua proposta, esta resposta que consistia em uma educada carta de agradecimento pela idéia proposta, e também em mais duas cartelas do tarja preta em questão.</p>
<p>Irritado, sugeriu ao médico a radical troca de toda aquela bomba química, afirmando que não lhe servia para mais nada, que os sintomas haviam retornado. Todos. </p>
<p><em>O profissional, naturalmente, hesitou, perante aquela mudança drástica do panorama que, até poucos dias, havia sido tão positivo. Uma ameaça velada de suicídio o dissuadiu de qualquer idéia que contrariasse seu paciente. Sabia que da maioria das vezes aquilo não passava de draminhas pré-fabricados de jovens querendo aparecer, mas o considerável número que constava nas estatísticas psiquiátricas sobre a seriedade daquele tipo de ameaça, e, principalmente, a mácula que um acontecimento daquela magnitude poderia gerar em uma respeitável ficha médica&#8230;.enfim, tremia só de pensar (de fato apresentava um leve tremor no joelho esquerdo, nessas ocasiões) – o que o fez concluir seu raciocínio com muitas reticências, que seriam devidamente retomadas no próximo caso similar.<br />
</em></p>
<p>Saiu satisfeito do consultório, agora tinha uma marca completamente nova de tricíclicos, um lançamento do sempre badalado mercado de medicamentos antidepressivos, o maior rival das religiões, para testar. A capacidade de inovação dessa área da ciência é completamente entusiasmante e ele admitia isso – não sem se deixar de policiar quanto a esse entusiasmo, que poderia, segundo um lógica simples e perigosa, ser mais eficiente que a já referida bomba química&#8230;.e ele não queria destruir algo do qual ansiava participar.</p>
<p>Estava feliz, e, francamente, olhava com desprezo qualquer tentativa de conversa a respeito da qualidade de tal felicidade. “<em>Abstrações, ora bolas&#8230;.felicidade é felicidade&#8230;felicidade é felicidade</em> – repetia, sem se dar conta.”.</p>
<p>__________________________________________________<br />
<em><br />
Fiquei tentado a compreender essa linha de raciocínio tortuosa do personagem, só posso postular que : “Só por quê um copo de café preto esfria, ele não deixa de ser café&#8230;mesmo que dê azia&#8230;.”</em></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/willdalosto.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/willdalosto.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/willdalosto.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/willdalosto.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/willdalosto.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/willdalosto.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/willdalosto.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/willdalosto.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/willdalosto.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/willdalosto.wordpress.com/300/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=300&subd=willdalosto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://willdalosto.wordpress.com/2009/07/14/os-amigos-e-inimigos-da-felicidade-moderna-i/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/444f5c00a3660beea05f01cf88095256?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">willdalosto</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Refundação</title>
		<link>http://willdalosto.wordpress.com/2009/06/30/refundacao/</link>
		<comments>http://willdalosto.wordpress.com/2009/06/30/refundacao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 21:52:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>willdalosto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Faculdade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://willdalosto.wordpress.com/?p=298</guid>
		<description><![CDATA[Bem, cá estou de volta. Não surtei, não morri, tampouco desisti. Os últimos 3 meses foram de dedicação exclusiva a minha monografia de conclusão da Faculdade. Agora chega de autores cretinos sobre determinadas realidades que só existem nas mentes acadêmicas. Voltemos à vida. Brindemos! 
       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=298&subd=willdalosto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Bem, cá estou de volta. Não surtei, não morri, tampouco desisti. Os últimos 3 meses foram de dedicação exclusiva a minha monografia de conclusão da Faculdade. Agora chega de autores cretinos sobre determinadas realidades que só existem nas mentes acadêmicas. Voltemos à vida. Brindemos! </p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/willdalosto.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/willdalosto.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/willdalosto.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/willdalosto.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/willdalosto.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/willdalosto.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/willdalosto.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/willdalosto.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/willdalosto.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/willdalosto.wordpress.com/298/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=willdalosto.wordpress.com&blog=287681&post=298&subd=willdalosto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://willdalosto.wordpress.com/2009/06/30/refundacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/444f5c00a3660beea05f01cf88095256?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">willdalosto</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>