A Praça
abril 30, 2010 Deixe um comentário
Nas cidades há uma tendência de existir uma praça central. Se fizermos uma reflexão histórica, este tipo de ponto urbano pode ser relacionado ao local em que tudo começou naquele agrupamento humano. No contexto da nossa formação histórica, ali é o centro de tudo por ter sido o local aonde foram construídas a igreja e a sede do governo, enquanto o amplo espaço defronte estes edifícios é ocupado pela população, temendo a autoridade dos poderes divinos e dos terrenos.
Pode mesmo ser o ponto agregador onde todos se reuniriam e decidiriam os rumos da urbe, seguindo um aspecto mais “grego” da coisa.
Claro que com o advento da democracia representativa (nossos vereadores, deputados, senadores, etc…) o aspecto democrático das nossas praças perderam, teoricamente, o sentido.
Ou não.
Aqui no Condado, como em qualquer cidade do interior, as pessoas se reúnem sem combinação prévia para uma espécie de exposição pública, não mais de idéias, mas sim uma exposição pública da sua própria existência (usando as roupas, como essência) como indivíduos.
Tais eventos ocorrem, principalmente, na praça central da cidade aos domingos de noite.
Há uma espécie de acordo coletivo, nunca formalizado, de que metade da cidade – em pequenos grupos – caminhará voltas sem sentido ao redor da praça, enquanto a outra metade se acomoda nos bancos, observando atentamente os primeiros que caminham. Seria uma espécie de troca da democracia das idéias pela democracia visual.
Nunca há um lado vitorioso, aliás, cada um ali é candidato de si mesmo, com intenções de voto evidentemente pouco idôneas.
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Ainda vou entender o sentido da coisa toda. Ainda vou entender a vida no interior.


