Depois de muito tempo, a parte final do relatório sobre a recuperação dos meus olhos, que sofreram cirurgia refrativa de correção de miopia, dia 14/2 último.
Dia 15 – A partir desse ponto deixo de perceber o “esbranquiçado” na visão de ambos os olhos, e passo a considerar a visão “decente”. O olho esquerdo está com uma nitidez 100% perfeita, mas o direito estagnou em uns 70%. Passo a ter medo de que tenha ocorrido hipocorreção nesse olho. A visão noturna é muito inferior em termos de nitidez, e as lâmpadas e faróis estão repletos de “efeitos especiais”.
Dia 20 – Visita de revisão no oftalmologista que me operou. O quadro está praticamente idêntico ao do dia 15. Reclamo dessa situação a ele, que praticamente jura que as condições de visão melhorarão muito. Reitera que devo ter paciência, e esperar o tempo agir, pois a recuperação é realmente lerda para casos de miopia alta como a minha (o fato do esquerdo, que tinha maior miopia que o direito se recuperar primeiro foi atribuído a um capricho da minha natureza regenerativa, e àquela pequena anomalia presente no olho direito). O retorno ficou marcado para 40 dias depois.
Dia 21 a Dia 30 – Diferença ínfima para melhor, na visão noturna de ambos os olhos, e na acuidade visual do olho direito. Por volta do trigésimo dia, passo a sentir pouca ou nenhuma necessidade do colírio lubrificante, e isso é muito bom. Por outro lado, sinto nos olhos, principalmente no esquerdo, um leve astigmatismo (as letras e números ficam um pouco tremidos).
Acho engraçado dizer que na recuperação se passa, artificialmente, por todas as deficiências de visão conhecidas: hipermetropia nos primeiros 3 dias, uma espécie de miopia (visão cansada) por semanas, e, finalmente, o astigmatismo. Posso dizer, essa é a anomalia mais desagradável de todas, pois sua visão é nítida, mas você simplesmente tem dificuldades de focar em detalhes importantes, tais como as letras.
Entre o dia 30 e 45 - A partir do trigésimo dia, passo a parar de me preocupar tanto com meus olhos, que eram até então preocupação constante e alvo de avaliação diária; de fato passam-se dias em que simplesmente esqueço-me de sua existência, foi simplesmente a melhor coisa que poderia ter acontecido, pois pude perceber uma melhora consistente por volta do quadragésimo quinto dia, quando começa a reta final deste relato.
Nessa época o astigmatismo, tão repentinamente como veio, tão repentinamente se foi…para meu alívio.
Entre o dia 46 e 60 – No dia 31 de Março encerrou-se completamente a aplicação do Florate, o colírio remanescente. Não sei se houve uma relação de causa e efeito, ou se foi mera coincidência, mas o fato é que no espaço entre 3 a 7 dias depois do fim da aplicação deste colírio a visão do olho direito melhorou bárbaramente, se equivalendo ao olho esquerdo. Por volta do dia 55 eu tinha mesmo a impressão de que esse olho de recuperação retardatária estava mesmo até melhor que o seu par.
Dia 16 de Abril – 62 dias depois da operação
Finalmente, no novo retorno ao médico, a medição da visão: O médico pediu para ler as letrinhas pequenas na parede sem aqueles penduricalhos na frente, à olho nu: LI AS LETRINHAS SEM A MENOR EXITAÇÃO, POIS ESTAVAM EXTREMAMENTE NÍTIDAS. Parecia que era o auge de uma das maiores alegrias da minha vida, mas ainda tinha mais. O médico resolveu testar uma letrinha ainda mais minúscula que a “normal”. Li a seqüência bem, não tão “bate-pronto” e relaxadamente como a anterior, mas com exitação mínima. Sim, visão acima da média, de 120% (20/15), principalmente no olho direito (o miserável que levou séculos para ficar bom). O resultado extremamente positivo surpreendeu até o médico. Saí literalmente sorridente e saltitante do consultório médico. Devo retornar para uma derradeira revisão em 6 meses.
Considerações Finais
O que dizer sobre toda esta epopéia ? Eu disse que a recuperação foi desagradável né ? Eu menti, a recuperação é extremamente desagradável, mesmo. Há momentos de muita impaciência, pois principalmente nos primeiros 20 dias não há como você não ficar acompanhando minuciosamente a recuperação (lenta) da qualidade visual dos olhos. O que não quer dizer que tal sofrimento não valha 100% a pena…e vale, ô se vale. Tenho impressão de que minha visão, hoje, durante o dia, é ainda melhor do que a visão proporcionada pelos velhos óculos, que corrigiam 6,0E e 4,5D de miopia. É como se as lentes me proporcionassem uma visão de qualidade de imagem de fita VHS e a visão proporcionada por minhas próprias córneas seja de qualidade de DVD.
Ainda há alguns detalhes para melhorar na visão noturna, não na acuidade em si, mas nos efeitos das luzes e lâmpadas. Tais aberrações melhoraram absurdamente em relação ao início do processo (no qual mal podia olhar para uma lâmpada que ela distorcia horrores); estimo que tal sintoma tenha um resquício de cerca de 20% da sua ocorrência inicial. Não considero que haja com o que me preocupar, pois ainda tenho uma margem de meses para os olhos se recuperarem plenamente nesse sentido da luzes noturnas.
Visão nova, vida nova….
P.S – Minha intenção, ao produzir relatório tão minucioso do processo de recuperação da cirurgia refrativa PRK, foi fornecer algum material de apoio mais “humano” e direto para pessoas que passem pela mesma situação, tendo uma melhor “visão” do que ocorre, e quando ocorre, em tal desagradável situação…e mesmo tranqüilizar a respeito daqueles momentos no qual a pessoa acha que nunca mais vai ter uma visão decente, felizmente uma ilusão desesperada do momento.


