Março de 2008
O local era um pequeno cubículo de uma grande loja no centro de minha cidade; prestava eu uma inútil atenção às cores das presilhas da cortina que mantinha a sempre desejada privacidade protegida dos olhares alheios sobre nosso corpo nesses momentos.
Respirei fundo e puxei ela, sem precisar de força, que envolveu minhas pernas de forma suave e dócil.
Entrou.
Sim, a maldita calça jeans 42 entrou, sem reclamações e protestos.
Um arrepio de prazer, júbilo e orgulho tomou conta de mim.
Março de 2007
No provador da mesma loja, experimentava novas roupas para o recomeço das aulas da faculdade; eu, que já vinha sofrendo de uma violenta depressão que me acompanhara no decorrer de todas aquelas férias, sofri um violento baque ao perceber que não entrava mais nas calças número 48, que me encaminhava para as de numeração 50. Lágrimas sinceras escorreram do meu rosto. Eu sempre havia passado longe de ser magro na minah vida, mas aquilo tudo começava a sair de controle.
Hoje em dia, quando me perguntam quando tudo começou, eu costumo apontar esse evento, embora houvessem mais fatos de caráter humilhantes (ocupar mais que um banco de ônibus, sofrer com o desdém feminino, etc) que influenciaram a decisão raivosa que tomei naquele momento: emagrecer, pelo menos 20kg, dos meus então 94kg.
Principiando a batalha…
Não procurei auxílio algum no princípio, contando apenas com minha força de vontade. Aliás, haja força de vontade para decidir, do dia para a noite, simplesmente não jantar mais, e cortar totalmente o pão da alimentação cotidiana.
Não mentirei dizendo que não passei fome, que foi tudo fácil, pois foi bem longe disso. As primeiras semanas foram terríveis. Por outro lado, com o tempo, vai se adquirindo um certo orgulho e bem estar de se estar vencendo, racionalmente, os desequilibrados instintos animais de alimentação, os mesmos que nos acompanham desde os tempos dos quais os seres humanos eram pobres coitados que passavm dias e dias atrás do resto da caçada dos outros animais.
Comecei também a pedalar na minha bicicleta ergométrica, estacionada a uma década nos fundos da garagem, em princípio, 30 min. diários, e, para auxiliar, comecei uma rotina de exercícios em um aparelho de ginástica que emula os movimentos de remos… uma maratona, para alguém sedentário por anos. Tal rotina esportiva foi desenvolvida sempre a noite, pois segui uma teoria (que se provou verdadeira) de que exercícios noturnos aumentariam a velocidade do metabolismo da noite de sono que viria logo a seguir, ou seja, emagreceria dormindo.
Comprei uma pequena balança doméstica, e comecei a me medir semanalmente, sempre após acordar. É uma decisão sábia, para quem precisar de um controle constante de peso corporal.

Verificando minhas anotações, ainda armazenadas aqui no meu computador, atesto que perdi 4,5 kg nos primeiros 30 dias, e 3,5 kg no segundo mês; ou seja: entrei no mês de maio com 86kg. Recordo que, à época, já estava dando pulos de alegria, apenas com os resultados parciais daqueles primeiros 2 meses.
Nos primeiros tempos de dieta, a resposta do organismo é deveras formidável e animadora. Toda essa energia positiva foi muito útil para o que veio depois: a diminuição da velocidade de peso.
E foi exatamente o que ocorreu.
Consolidação e Lentidão…
Entre Junho e Julho, perdi cerca de 3kg por mês, o que me fez entrar em Agosto, no segundo semestre letivo do ano, com exatos 80 kg, e entrando, com todo o conforto, em calças 46.
E a dieta horrível? Àquela altura a tal dieta já estava, para meus parâmetros, dentro do padrão de normalidade. Era o meu estado normal. Era como se sempre tivesse me alimentado daquela forma, sem sacrifícios.
Esse panorama, naquele momento, apesar de estar muito positivo, (e estarem começando a surgir os primeiros elogios quanto ao meu notável emagrecimento) começava a me incomodar a perceptível diminuição na velocidade de emagrecimento. Ainda mais que eu, entusiasmado e ansioso para atingir a meta final, havia mesmo dobrado o tempo de bicicleta ergométrica. Se, com tudo aquilo, o emagrecimento estava mais lerdo, quem dirá se eu não houvesse dedicado aquele esforço extra nos exercícios.
O mês de Setembro acabou, e, as perdas de peso ridículamente pequenas fizeram-me estar, ainda, com 77,5 kg, foi então que decidi buscar auxilio com uma nutricionista, mesmo com um pé atrás, achando que ela não teria nada de interessante para ensinar a mim, William Dalosto, cidadão cosmopolita em estado de eterna ligação com as informações do Google.
Pois eu estava errado…
(Cont.)