"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Março 2008

Isolation Under Control

Março 28, 2008 · Deixe um comentário

Música tema dos meus dias mais recentes, de reflexão sobre o sentido das coisas…o que gerou considerável introspecção e pouco contato com o mundo exterior.

Tabém aproveito a deixa para uma pequena promoção do excelente Control, filme sobre vocês sabem quem

In fear every day, every evening,
He calls her aloud from above,
Carefully watched for a reason,
Painstaking devotion and love,
Surrendered to self preservation,
From others who care for themselves.
A blindness that touches perfection,
But hurts just like anything else.

Isolation, isolation, isolation.

Isolation, isolation, isolation.

Mother I tried please believe me,
I’m doing the best that I can.
I’m ashamed of the things I’ve been put through,
I’m ashamed of the person I am.

Isolation, isolation, isolation.

But if you could just see the beauty,
These things I could never describe,
These pleasures a wayward distraction,

    This is my one lucky prize.

Isolation, isolation, isolation…

Categorias: Egotrip · Solidão

Como Perdi 25% Do Meu Corpo, Sem Cortar As Pernas Fora…(II)

Março 15, 2008 · 5 Comentários

Ajuda Externa…

A nutricionista explicou que, a lentidão, a partir de determinado estágio de emagrecimento, se dava, quase sempre, em razão do metabolismo entrar em um estado de plateau, ou seja: com a repetição constante de cardápios diários o metabolismo fica acomodado, gasta uma quantidade fixa de calorias diárias disponíveis.

Solução? Alternar e modificar o máximo possível o tipo de alimentos ingeridos, nunca repetir o mesmo cardápio. Isso reativaria uma maior velocidade de queima de energia pelo metabolismo.

A partir desse momento começa a se manifestar em mim um outro sintoma: dar pouca atenção aos elogios espantados das pessoas quanto ao meu emagrecimento. Descobri isso a partir do instante do qual a nutricionista, de queixo caído pelo meu sucesso solitário, sem apoios, propôs que, talvez se eu perdesse mais uns 3kg já estaria tudo ótimo. Não sei a razão, mas aquilo me pareceu singelo demais. Estava com um ego em estado de crescimento em velocidade assustadora, então: se estava com 77 e uns quebrados já, por que não tocar de uma vez para 70kg ? Sempre gostei de números redondos…

O Reânimo…

Outubro marcou, além da minha estréia em calças 44 – pela primeira vez desde os 16 anos, ou seja, 7 anos atrás, um reavivamento do meu emagrecimento, graças as orientações da nutricionista, com a perda de bons 3kg, que fizeram-me entrar em Novembro com 74,5 kg.

O fim do semestre da faculdade me gerou quantidade considerável de stress, o que me fez me dedicar pouco às obrigações físicas, mesmo assim, entrei em Dezembro com 72 kg.

Então chegaram as temíveis festas de fim de ano, comi muito bem, e pouco me exercitei, o que, por causa e efeito, fez com que não perdesse peso no último mês do ano…mas só o fato de não ganhá-lo já foi bacana.

A Reta Final…

Retomei a linha de exercícios em janeiro, já não tão fissurado e obcecado pelos sonhados 70kg, mas, por outro lado, perdi um pouco o controle etílico e bebi demais nesse mês (culpa do calor porto-alegrense), o que fez com que perdesse apenas 1kg.

Em Fevereiro, como conhecido por muitos, fiz uma cirurgia para correção de miopia, o que me impossibilitou, por uma semana, de praticar exercícios. Além disso, houve um contratempo inesperado, aparentemente um dos colírios que eu estava usando me fez, de alguma forma, reter líquido (só isso explica estar 2kg mais pesado em uma questão de 48 horas) por uma semana, logo que ele foi suspenso, o peso voltou ao normal tão rápido quanto havia aumentado.

Março de 2008, de novo…

Retornando ao início da saga. No início deste mês a balança bateu nos 70 kg cravados, um ano depois estou com 24 kg a menos do que o início da “nova vida” (nova vida mesmo, pois a dieta iniciada perdeu o “status” de temporária, e acabou sendo adotada como um perfil normal de alimentação) , ao mesmo tempo em que comecei a achar as calças 44 meio folgadas demais. Fui experimentar a 42, o que nos remete para o princípio desta história…

Epílogo – O Que Faz Um Homem Levantar da Cama Todos Os Dias ?

O amor próprio, o orgulho, a sensação de poder, a firme convicção de que nada lhe é impossível.
Todo este exercício de convencimento e egocentrismo do ser sobre seus inimigos – o principal deles: ele mesmo – é necessário ao momento de um dos maiores desafios que um ser humano lança sobre si mesmo: EMAGRECER. Nunca tentem algo assim para os outros (tá, um percentual vai ser para impressionar terceiros) e sim para presentear a si mesmo com magníficas sensações, entre elas, a melhor de todas, a de ótima auto-estima (um éter prazeroso natural que desfruto pela primeira vez na minha vida). Ao fim, desfrute os louros da vitória: roupas bem menores do que se usava antes de tudo. Vale a pena. Mesmo.

P.S – Um conselho final: as vezes a lentidão do emagrecimento é exasperadora, mas há que se ter paciência, pois o próprio processo de engorda é algo lento e gradual (no meu caso foram 5 anos de puro descaso). Não se pode, e não é bom para a saúde, perder uma quantidade enorme de peso em semanas, como algumas pessoas fantasiam.

Categorias: Relatos · Saúde

Como Perdi 25% Do Meu Corpo, Sem Cortar As Pernas Fora…(I)

Março 15, 2008 · Deixe um comentário

Março de 2008

O local era um pequeno cubículo de uma grande loja no centro de minha cidade; prestava eu uma inútil atenção às cores das presilhas da cortina que mantinha a sempre desejada privacidade protegida dos olhares alheios sobre nosso corpo nesses momentos.
Respirei fundo e puxei ela, sem precisar de força, que envolveu minhas pernas de forma suave e dócil.

Entrou.

Sim, a maldita calça jeans 42 entrou, sem reclamações e protestos.

Um arrepio de prazer, júbilo e orgulho tomou conta de mim.

Março de 2007

No provador da mesma loja, experimentava novas roupas para o recomeço das aulas da faculdade; eu, que já vinha sofrendo de uma violenta depressão que me acompanhara no decorrer de todas aquelas férias, sofri um violento baque ao perceber que não entrava mais nas calças número 48, que me encaminhava para as de numeração 50. Lágrimas sinceras escorreram do meu rosto. Eu sempre havia passado longe de ser magro na minah vida, mas aquilo tudo começava a sair de controle.

Hoje em dia, quando me perguntam quando tudo começou, eu costumo apontar esse evento, embora houvessem mais fatos de caráter humilhantes (ocupar mais que um banco de ônibus, sofrer com o desdém feminino, etc) que influenciaram a decisão raivosa que tomei naquele momento: emagrecer, pelo menos 20kg, dos meus então 94kg.

Principiando a batalha…

Não procurei auxílio algum no princípio, contando apenas com minha força de vontade. Aliás, haja força de vontade para decidir, do dia para a noite, simplesmente não jantar mais, e cortar totalmente o pão da alimentação cotidiana.
Não mentirei dizendo que não passei fome, que foi tudo fácil, pois foi bem longe disso. As primeiras semanas foram terríveis. Por outro lado, com o tempo, vai se adquirindo um certo orgulho e bem estar de se estar vencendo, racionalmente, os desequilibrados instintos animais de alimentação, os mesmos que nos acompanham desde os tempos dos quais os seres humanos eram pobres coitados que passavm dias e dias atrás do resto da caçada dos outros animais.

Comecei também a pedalar na minha bicicleta ergométrica, estacionada a uma década nos fundos da garagem, em princípio, 30 min. diários, e, para auxiliar, comecei uma rotina de exercícios em um aparelho de ginástica que emula os movimentos de remos… uma maratona, para alguém sedentário por anos. Tal rotina esportiva foi desenvolvida sempre a noite, pois segui uma teoria (que se provou verdadeira) de que exercícios noturnos aumentariam a velocidade do metabolismo da noite de sono que viria logo a seguir, ou seja, emagreceria dormindo.

Comprei uma pequena balança doméstica, e comecei a me medir semanalmente, sempre após acordar. É uma decisão sábia, para quem precisar de um controle constante de peso corporal.

Verificando minhas anotações, ainda armazenadas aqui no meu computador, atesto que perdi 4,5 kg nos primeiros 30 dias, e 3,5 kg no segundo mês; ou seja: entrei no mês de maio com 86kg. Recordo que, à época, já estava dando pulos de alegria, apenas com os resultados parciais daqueles primeiros 2 meses.

Nos primeiros tempos de dieta, a resposta do organismo é deveras formidável e animadora. Toda essa energia positiva foi muito útil para o que veio depois: a diminuição da velocidade de peso.

E foi exatamente o que ocorreu.

Consolidação e Lentidão…

Entre Junho e Julho, perdi cerca de 3kg por mês, o que me fez entrar em Agosto, no segundo semestre letivo do ano, com exatos 80 kg, e entrando, com todo o conforto, em calças 46.

E a dieta horrível? Àquela altura a tal dieta já estava, para meus parâmetros, dentro do padrão de normalidade. Era o meu estado normal. Era como se sempre tivesse me alimentado daquela forma, sem sacrifícios.

Esse panorama, naquele momento, apesar de estar muito positivo, (e estarem começando a surgir os primeiros elogios quanto ao meu notável emagrecimento) começava a me incomodar a perceptível diminuição na velocidade de emagrecimento. Ainda mais que eu, entusiasmado e ansioso para atingir a meta final, havia mesmo dobrado o tempo de bicicleta ergométrica. Se, com tudo aquilo, o emagrecimento estava mais lerdo, quem dirá se eu não houvesse dedicado aquele esforço extra nos exercícios.

O mês de Setembro acabou, e, as perdas de peso ridículamente pequenas fizeram-me estar, ainda, com 77,5 kg, foi então que decidi buscar auxilio com uma nutricionista, mesmo com um pé atrás, achando que ela não teria nada de interessante para ensinar a mim, William Dalosto, cidadão cosmopolita em estado de eterna ligação com as informações do Google.

Pois eu estava errado…

(Cont.)

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O Começo do Fim

Março 2, 2008 · 1 Comentário

“Fui resgatado. Contra minha vontade, devo deixar bem claro. Flutuava tranqüilamente a deriva pelo espaço, dispensando todo e qualquer acompanhante naquela eterna e relaxante jornada pela ociosidade transcendental e universal. Foram três meses, pareceram bem mais do que isso, o tempo, no espaço, passa de forma distinta em relação aos que ficam presos à Terra. Mas pouco adiantaram meus protestos, pouco apreciados pelos que me julgavam tão necessário para a paz e harmonia local.

Aos poucos, perceberam que eu não era mais o mesmo, que não conseguia me readaptar ao modo de vida local, que havia perdido a noção de hierarquia e dos riscos potencialmente altos que decorreriam dessa deficiência.

Balbuciei para que me deixassem de volta aonde haviam me localizado. Em vão. Fui incompreendido por uns, ignorado por outros. Mas o certo é que não me deixariam retornar, ao invés disso optaram por uma mudança de ares para mim: um templo de educação no qual desempenharia trabalhos forçados por um período de…adivinhem! três meses.”

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Sim, foi apenas um tola dramatização do fim destas longas férias. Mas o certo é que amanhã partirei, de volta, em direção ao nosso vale de lágrimas dos últimos cinco anos.

A última jornada, o último ano de vida universitária.

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