"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

PRK – Eye In The Sky (Primeira Parte)

Fevereiro 25, 2008 · 1 Comentário

Uma aventura de encher os olhos; ironias à parte, é assim que eu descreveria a minha mais recente epopéia heróica: a cirurgia de correção de miopia.

Era um sonho acalentado a muito tempo atrás, esquecido por uns tempos, e relembrado recentemente (comentei algo sobre isso aqui), finalmente, em um impulso corajoso, posto em prática.

Este “impulso”, esta coisa fundamental para se submeter a tal intervenção, realmente não veio de algo considerado fútil como a simples vaidade; esta ajuda certamente, mas eu diria que ter 6 graus de miopia em um olho e 4,5 em outro, em suma, ser totalmente dependente dos óculos até para enxergar as horas do rádio-relógio a poucos centímetros de distância, foram fatores muito mais decisivos.

Bem, primeiramente deve ser marcado uma consulta (a minha foi dia 10 de janeiro) com um especialista da área, aonde você reúne forças e diz que possui “algum” interesse em corrigir a miopia. O médico fará um exame de acuidade para confirmar o grau, perguntará a quanto tempo ele está estável, no caso 5 anos (não mintam nessa parte, é muito importante), lançará uma luz muito forte em cada olho, ao mesmo momento em que pedirá para virar os olhos em várias direções (não é a coisa mais agradável do mundo, principalmente para “fotofobos” de nascença como eu) para ter um primeiro vislumbre do estado geral das córneas. Ao fim, meu médico disse que, em princípio, tudo estava perfeito, mas que de praxe, eu teria que fazer alguns exames para definir o método: LASIK ou PRK – falarei mais deles adiante – , um deles a famigerada paquimetria.

Na paquimetria, o examinador mete, literalmente, uma espécie de caneta bem no meio do seu olho. Ah, sim, ele é devidamente anestesiado antes com um colírio anestésico, que arde muito, mas que em segundos deixa eles meio dormentes. Tive bastante dificuldade, mas o examinador conseguiu: apurou cerca de 530 micras de espessura em cada córnea. Mais chateações: no outro exame, que fez uma varreduira do meu olho, o médico detectou uma pequena anomalia no olho direito, tendo eu, então, que fazer um exame mais minucioso (e mais caro). Naquela altura do campeonato, eu, morrendo de ansiedade por toda aquela situação, fiz o exame restante (colocar os olhos dentro de um aparelho com uma luz azulada fantasticamente forte) com a maior rapidez possível e logo levei ao médico, que confirmou uma pequena anomalia no “eixo” do direito (o olho tem que estar, teoricamente, bem centrado num parâmetro 90°, o meu estava em 87°) e constatou que minha córnea (de 530 micras) tinha pouca espessura para suportar uma LASIK (que requer, pelo menos, umas 570), então, se eu quisesse operar, deveria ser pelo método PRK, com a adição de Mitomicina.

Fui rápido demais, não? vou explicar um pouco sobre tais metodologias:

LASIK é a técnica mais moderna, pode ser aplicada até em miopias extremas, senão me engano mais de 10 graus. Para ser inserido o LASER no olho, é feito um corte circular incompleto (tipo um tampão de laranja) na córnea através de um aparelhinho de altíssima precisão chamado microceratomo, esta “tampa” é levantada e o LASER entra diretamente no olho, sem o agente intermediário da córnea no caminho. Após este procedimento a “tampa”, ou “flap”, como é a correta denominação, é colocada de volta ao local; esta possui uma aderência e cicatrização formidável e é muito rápida, a maior parte das pessoas enxergam perfeitamente em 48 horas. Como nada é perfeito, a LASIK tem uma pequena incidência de problemas futuros de fantasmas e outras anomalias na visão, tudo em decorrência do “flap”, que também pode se “descolar”, o que certamente é muito grave.

PRK é a técnica anterior a descrita acima, ela tem um nível de possibilidade de aplicação menor que a LASIK, sendo variável a outros fatores, mas é algo entre 5 e 6 graus (com a Mitomicina, substãncia de aplicação descoberta recente, pode-se chegar a 7 graus, segundo o médico….sim, me escapei por um triz) nela o LASER entra em contato diretamente com a córnea, visto que não há corte e “flap”, apenas há um ligeiro desbastamento (“lixada” mesmo…) da camada mais externa. O LASER pegará quase toda córnea no caminho, queimará mais, e o pós-operatório será desagradável e a recuperação (o processo de cicatrização da córnea, basicamente) muito mais lenta. A vantagem é a segurança proporcionada, a córnea tem sua integridade garantida, depois da cicatrização completa será como se nunca houvesse sofrido a cirurgia, diferente do “flap” permanente da LASIK…e por fim, a PRK é mais “democrática”, roubando a palavra expressada por meu médico, visto que permite que pessoas de córnea mais fina (sem graus extremamente elevados) possam abandonar os óculos.

Tudo determinado e esclarecido, concordei, e minha cirurgia foi marcada para o então distante dia 14 de fevereiro, às 17h30. Na ocasião da marcação já me foi indicado a utilização de dois colírios (Vigamox e Still), para terem sua aplicação principiada 24 horas antes da cirurgia.

Eis que chegou o fatídico dia: me apresentei ao hospital, juntamente com minha mãe (uma acompanhante é obrigação, esqueci de comentar). Ao me chamarem tirei o óculos da minha face pela última vez e coloquei-o dentro da caixinha, deixando-o com a “acompanhante” – isso não foi uma atitude movida por frescura, eles pedem que você entre na ala cirúrgica sem os óculos. Uma vez dentro, fizeram-me colocar aquelas capas médicas de cor verde por cima das roupas e uns pedaços do mesmo tecido por cima dos sapatos…situaçãozinha desagradável, creio não ter comentado que jamais havia me submetido a nenhuma cirurgia nesses vinte e três anos. Fizeram-me tomar valium por precaução (de praxe), pois nervosismo não ajuda em absolutamente em nada na cirurgia.

Antes, ainda fizeram uma última verificação dos meus olhos, deitando-me na mesa do aparelho, e tirando fotos dos meus olhos com uma parte do mesmo (sim, ele faz mais coisas do que jogar uma luzinha nos olhos alheios). As lâmpadas que clareiam o processo são extremamente fortes e desagradáveis (já comentei minha fotofobia de nascença).

O médico chegou, me cumprimentou e tudo começou…

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