Sim, a cirurgia não dói absolutamente nada, mas o mesmo não pode ser dito das horas seguintes, principalmente da primeira noite, pois, isso no meu caso particular, os olhos começaram a arder razoavelmente, principalmente o esquerdo, o mais atingido. Foi necessário um reforço no remédio contra dor. Improvisei tapa-olhos com muita gaze e esparadrapo, mas as mesmas amanheceram jogadas no meio do quarto, e eu não estava acordado quando isso ocorreu…
Dia 1 – No dia seguinte minha visão amanheceu muito embaçada, parecia um forte nevoeiro, e a região das olheiras estavam cavalarmente inchadas. Não era possível ler nada, muito menos parar diante de um monitor ou de uma televisão, pois a fotofobia estava a mil. Não fiz absolutamente nada no dia inteiro, assim como nos 3 dias seguintes.
Dia 2 – O pior de todos em termo de visão e incômodo. A fotofobia aumentou ainda mais e eu mal me enxergava na frente do espelho. Tranquei-me e dormi no quarto escuro o dia inteiro. Foi um dia deprimente.
Dia 3 – Pouquíssima diferença para melhor em termos de fotofobia. Comecei a mensurar de uma forma pouco ortodoxa a minha acuidade visual:
- O olho direito estava bem pior que o esquerdo (estranhei, a lógica era ocorrer o contrário), como se tivesse enxergando em um óculos com 1 grau de miopia defasado e com a lente “extremamente embaçada”.
- O esquerdo parecia estar submetido a uma lente 0,5 grau mais fraca do que o necessário, e apenas “muito embaçado”.
Essa loucura me incomodava ainda mais, pois meu olho direito, o eterno “olho bom”, sempre foi dominante em relação ao esquerdo, meu cérebro se acostumou dessa forma. Então, eis que, do nada, tudo ficara invertido. Confusão e muita dor de cabeça.
Dia 4 – O turnpoint: os olhos começaram a melhorar lentamente. O que mais me incomodou foram as lentes de contato terapêuticas (os que usam lentes devem imaginar ficar dias a fio com elas sem tirá-las e limpá-las), me prioporcionaram uma sensação que defino como a de “plástico velho e seco grudado no olho”.
Dia 5 – Fui ao médico, de tarde, para a primeira avaliação pós-cirurgia. Ele retirou minhas lentes – teve trabalho , pois haviam grudado demais, principalmente a direita (ahá) pois a primeira fase da cicatrização estava concluída. Instantâneamente senti uma leve melhora no nevoeiro; isso quer dizer que uma boa parte da névoa era da lente estar suja.
O médico também explicou a razão do direito estar pior do que o esquerdo: a correção das anomalias, já citadas, presentes nesse olho. O LASER atuou menos tempo, mas “remodelou” mais coisas, ou seja, atuou em mais pontos do que de costume.
Nessa ocasião foram suspensos o Vigamox e o Still. Continuei com o Florate e com o Oftane, um lubrificante magnífico.
Dia 6 – Melhora sensível. Me animei e fui ao Centro fazer uma nova carteira de identidade (a velha está se desintegrando), aproveitando para entrar numa óptica de renome e dizer para uma bela atendente: “quero um ótimo óculos escuros”…sim, de lá saí com o primeiro óculos escuros da minha vida, não poupei em um ótimo modelo, eu merecia esta dádiva atrasada tantos anos. Quem não tem miopia extrema não valoriza pequenas coisas como essa, e outras.
Dia 7 a 10 – O embaçamento diminui muito lentamente, dia após dia, tanto que é melhor comparar o quadro de 3 em 3 dias do que o de 1 em 1. As diferenças ficam mais concretas. Nesse período a fotofobia quase se foi.
Dia 11 – A situação é a seguinte, o olho direito parece estar submetido a uma lente 0,5 grau fraca (antes era 1) e “meio embaçada”. O esquerdo parece estar sob uma lente 0,25 fraca (antes era 0,5) e “um pouco embaçada”. O direito tem tido uma curva de melhora mais elevada do que o esquerdo, e a diferença entre ambos já é bem mais tênue.
De noite a situação é desagradável, a visão deteriora muito…é algo particularmente detestestável, mesmo que melhorando muito lentamente..
Em suma, eu diria que o esquerdo está 80% bom e o direito uns 60%.
Tenho ainda muito tempo de recuperação. A primeira fase de recuperação leva 30 dias, quando, após, pode-se medir, de forma mais ou menos séria, a acuidade visual.
Enfim, tudo está dentro do cronograma de sofrimentos do pós-operatório.
Continuarei esta série após o dia 5/3, que será minha próxima visita ao oftalmologista.


