E finalmente cai 2007, de podre – excesso de calor – eu diria. Retomando a atividade desenvolvida no fim do ano passado, achei interessante apontar material musical do ano, mas com uma diferença, praticamente sem material lançado nestes últimos 365 dias, (com apenas uma exceção), por ter sido praticamente um ano tão irrelevante, em âmbito musical, (e em outros âmbitos também) que desta vez apontarei 07 magníficos discos – independentemente de suas datas de lançamento – que escutei pela primeira vez no último ano (sentindo muito por não ter conhecido eles antes).
Mas vamos a nossa pequena lista:

Alan Parsons Project
The Turn of a Friendly Card (1980)
Conhecer a banda foi dica de um colega da faculdade, que despertou meu interesse ao meu fazer saber que Alan Parsons era engenheiro de som e produtor de outros bons discos de ótimas bandas, como o clássico Dark Side of The Moon, do Pink Floyd. O próprio Project lembra muito o som espacial e melódico da banda citada. Consegui quase todos os discos, mas The Turn of a Friendly Card, é, em minha opinião, a grande jóia da coroa progressiva.

Booker T. & The MG’s
Green Onions (1962)
Sobre o Booker, que eu já conhecia anteriormente de nome, além de personalidades como Neil Young e os caras do Pearl Jam sempre citarem eles com muito louvor. Uma banda com um ousado híbrido de músicos negros e brancos em pleno auge das tensões raciais nos EUA. Green Onions é um excelentíssimo disco instrumental (passa longe de ser chato, acreditem, detratores da música instrumental), muito agradável para compor a trilha sonora de viagens. (viajei…)

Frank Zappa
Hot Rats (1969)
Seguindo a pauta de discos instrumentais. Mr. Zappa nos presenteia com essa pérola, de 1969 (ele possui inúmeras pérolas no seu imenso catálogo, mas essa tem um brilho a parte). Com jams inusitadas e espontâneas (e longas), cercando “Willie The Pimp”, a única faixa com um trecho com vocais, no caso do Captain Beefheart (uma espécie de Zappa menos (re)conhecido), a cereja da torta.

Katia B
Katia B (2000)
Conheci a moça graças ao ultimo disco do Vitor Ramil, no qual ela divide vocais em uma ótima faixa. Ansiado em saber mais sobre a dona daquela voz, fui atrás de seus discos e me encantei com seu primeiro trabalho, com arranjos formidáveis, no qual eu classificaria como “samba-arabesco-psicodelia-underground”. Essas horas eu penso na injustiça da falta de maior reconhecimento de muitos artistas talentosos. Mas Kátia já conseguiu um grupo de fãs cativos, e de qualidade….

Marianne Faithfull
Broken English (1979)
Muitos torcem o nariz para a eterna namoradinha do Mick Jagger, mas Marianne tem algumas pequenas pérolas musicais, pouco reconhecidas, dentre as quais ressalto esse disco de 1979, lançado no auge da decadência química e moral da cantora/compositora. Felizmente a decadência não afetou seu talento para transpor emoções para a forma lírica, no caso: amarguras e depressão.

Nick Drake
Bryter Layter (1970)
Eu poderia colocar todos seus três incríveis discos aqui na lista, mas ao me limitar, elegi este como destaque. A perfeita definição de “um cara quieto com um violão, falando de garotas, anseios de vida, cigarros e assemelhados”, não teve seus méritos reconhecidos em vida, mas apenas depois de seu infeliz suicídio em 1974. Acabou sendo uma espécie de predecessor do Elliot Smith.

Wilco
Sky Blue Sky (2007)
Eis aqui o melhor disco de 2007,e lançado este ano (sim, houve um melhor disco este ano, há esperanças!). O Wilco (leia-se Jeff Tweedy) efetivou uma espécie de downsizing da megalomania das estruturas musicais dos dois últimos discos (o bom A Ghost Is Born, e o já legendário Yankee Hotel Foxtrot) se focando em uma linha de composição de uma simplicidade extremamente cativante que fez este lançamento ter uma aclamação quase unânime, firmando a banda como uma das pouquíssimas bandas atuais que prestam e tem algum sucesso e reconhecimento merecido.
__________________________________________________
P.S – Either Way, a primeira faixa, acabou sendo minha canção preferida do ano. Esta bela música também foi trilha sonora de um divertido comercial da VW na Europa, que pode ser visto clicando aqui.
Segue, abaixo, a letra:
Maybe the sun will shine today
The clouds will blow away
Maybe I won’t feel so afraid
I will try to understand either way
Maybe you still love me maybe you don’t
Either you will or you won’t
Maybe you just need some time alone
I will try to understand
Everything has its plan
Either way I’m going to stay right for you



