"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Dezembro 2007

Lista Sonora: Versão Zero Sete

Dezembro 31, 2007 · 1 Comentário

E finalmente cai 2007, de podre – excesso de calor – eu diria. Retomando a atividade desenvolvida no fim do ano passado, achei interessante apontar material musical do ano, mas com uma diferença, praticamente sem material lançado nestes últimos 365 dias, (com apenas uma exceção), por ter sido praticamente um ano tão irrelevante, em âmbito musical, (e em outros âmbitos também) que desta vez apontarei 07 magníficos discos – independentemente de suas datas de lançamento – que escutei pela primeira vez no último ano (sentindo muito por não ter conhecido eles antes).

Mas vamos a nossa pequena lista:


Alan Parsons Project
The Turn of a Friendly Card (1980)

Conhecer a banda foi dica de um colega da faculdade, que despertou meu interesse ao meu fazer saber que Alan Parsons era engenheiro de som e produtor de outros bons discos de ótimas bandas, como o clássico Dark Side of The Moon, do Pink Floyd. O próprio Project lembra muito o som espacial e melódico da banda citada. Consegui quase todos os discos, mas The Turn of a Friendly Card, é, em minha opinião, a grande jóia da coroa progressiva.


Booker T. & The MG’s
Green Onions (1962)

Sobre o Booker, que eu já conhecia anteriormente de nome, além de personalidades como Neil Young e os caras do Pearl Jam sempre citarem eles com muito louvor. Uma banda com um ousado híbrido de músicos negros e brancos em pleno auge das tensões raciais nos EUA. Green Onions é um excelentíssimo disco instrumental (passa longe de ser chato, acreditem, detratores da música instrumental), muito agradável para compor a trilha sonora de viagens. (viajei…)


Frank Zappa
Hot Rats (1969)

Seguindo a pauta de discos instrumentais. Mr. Zappa nos presenteia com essa pérola, de 1969 (ele possui inúmeras pérolas no seu imenso catálogo, mas essa tem um brilho a parte). Com jams inusitadas e espontâneas (e longas), cercando “Willie The Pimp”, a única faixa com um trecho com vocais, no caso do Captain Beefheart (uma espécie de Zappa menos (re)conhecido), a cereja da torta.


Katia B
Katia B (2000)

Conheci a moça graças ao ultimo disco do Vitor Ramil, no qual ela divide vocais em uma ótima faixa. Ansiado em saber mais sobre a dona daquela voz, fui atrás de seus discos e me encantei com seu primeiro trabalho, com arranjos formidáveis, no qual eu classificaria como “samba-arabesco-psicodelia-underground”. Essas horas eu penso na injustiça da falta de maior reconhecimento de muitos artistas talentosos. Mas Kátia já conseguiu um grupo de fãs cativos, e de qualidade….


Marianne Faithfull
Broken English (1979)

Muitos torcem o nariz para a eterna namoradinha do Mick Jagger, mas Marianne tem algumas pequenas pérolas musicais, pouco reconhecidas, dentre as quais ressalto esse disco de 1979, lançado no auge da decadência química e moral da cantora/compositora. Felizmente a decadência não afetou seu talento para transpor emoções para a forma lírica, no caso: amarguras e depressão.


Nick Drake
Bryter Layter (1970)

Eu poderia colocar todos seus três incríveis discos aqui na lista, mas ao me limitar, elegi este como destaque. A perfeita definição de “um cara quieto com um violão, falando de garotas, anseios de vida, cigarros e assemelhados”, não teve seus méritos reconhecidos em vida, mas apenas depois de seu infeliz suicídio em 1974. Acabou sendo uma espécie de predecessor do Elliot Smith.


Wilco
Sky Blue Sky (2007)

Eis aqui o melhor disco de 2007,e lançado este ano (sim, houve um melhor disco este ano, há esperanças!). O Wilco (leia-se Jeff Tweedy) efetivou uma espécie de downsizing da megalomania das estruturas musicais dos dois últimos discos (o bom A Ghost Is Born, e o já legendário Yankee Hotel Foxtrot) se focando em uma linha de composição de uma simplicidade extremamente cativante que fez este lançamento ter uma aclamação quase unânime, firmando a banda como uma das pouquíssimas bandas atuais que prestam e tem algum sucesso e reconhecimento merecido.

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P.S – Either Way, a primeira faixa, acabou sendo minha canção preferida do ano. Esta bela música também foi trilha sonora de um divertido comercial da VW na Europa, que pode ser visto clicando aqui.

Segue, abaixo, a letra:

Maybe the sun will shine today
The clouds will blow away
Maybe I won’t feel so afraid
I will try to understand either way

Maybe you still love me maybe you don’t
Either you will or you won’t
Maybe you just need some time alone
I will try to understand
Everything has its plan
Either way I’m going to stay right for you

Categorias: Música

Escalando Uma Montanha

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

Considerações sobre “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann

a)Da Procura

Um daqueles livros citados em 9 entre 10 listas de melhores livros de sempre, ou listas pessoais de “Livros de Nossa Vida”. Passei um bom tempo o procurando nos sebos, em vão. Considero isso um excelente parâmetro de potencial qualidade de uma obra literária, pois ninguém se desfaz de bons livros. Se não concordam comigo é só ver aquelas pilhas enormes de Senhor dos Anéis e Códigos da Vinci disponíveis nas lojinhas da Riachuelo. Quando algum incauto me diz que tem curiosidade em ler uma dessas obras de qualidade discutível, manifestando impetuoso e dispendioso interesse de compra do novo exemplar zero quilômetro, eu aconselho, em um gesto amigo, a comprá-lo por uma quantia irrisória nos locais já citados.
Mas, enfim, após meses de buscas infrutíferas, adquiri A Montanha Mágica na última feira do livro aqui em Porto Alegre, com uma enorme satisfação estampada na face.

b)Da Escalada

Quase um milhar de páginas, a escalada da montanha é árdua, por vezes monótona. Uma ingênua projeção inicial de minha parte apostou uma jornada de trinta dias até o cume da montanha. Levei quase o dobro do tempo.
O segredo de como chegar ao topo, com sucesso, se baseia, em parte, nas próprias noções de tempo de Hans Castorp, nosso herói, que chegou ao Berghof (uma espécie de hospital campestre, em altas altitudes, para pessoas com problemas pulmonares da mais variada ordem, e dos mais variados lugares) para uma visita de três semanas ao seu primo Joachim, e por fim, por motivos de ordem superior, acaba passando anos e anos por lá. As primeiras semanas e meses decorrem em uma velocidade absurdamente lenta, com uma especificação fantasticamente detalhada de todos os eventos, locais, acontecimentos e pessoas, para depois, aos poucos, a marcha do tempo seguir com maior fluidez.

c)Tempo, Tempo, Tempo…

O tempo. Esse sim um personagem à parte da obra, sempre muito discutido, e se fazendo, forçosamente, notar ao decorrer das muitas centenas de páginas. Como já mencionei, o primeiro ano em queHans Castorp passa na Montanha é narrado com exaustão e riqueza de detalhes que, certas vezes, podem chegar mesmo a irritar. Os últimos capítulos narram apressadamente alguns eventos dos anos posteriores – a explicação é sugerida pela forma aparentemente mais lenta que o tempo passa (na verdade a forma como o percebemos) para nós nas primeiras vezes que enfentamos determinadas situações e eventos, mas passa em uma velocidade muito maior a partir do momento do qual nos acostumamos com as mesmas; traço, assim, um paralelo com o arrogante leitor que acaba tendo que desconsiderar quaisquer tolas projeções de tempo para a leitura final. O próprio Thomas Mann foi uma espécie de vítima dessa brincadeira contra os mais apressados, levando mais de uma década para a conclusão do livro.

d)Construção dos Personagens

A lenda de que o livro foi escrito sem o menor roteiro parece ser a mais pura verdade, o senso casual do que ocorre passa a sensação de que foi composto ao sabor das alterações de humor e de disponibilidade do autor. Nesse meio desregrado a base fundamental de bons personagens para a coisa toda funcionar de alguma forma é abusada por Mann, colocando representantes de praticamente todos os cantos da Europa em uma reunião forçada para fins particulares, mas semelhantes (a suposta melhora da saúde em comum). Representando todas as vertentes de pensamento possíveis e existentes naquele contexto de Europa imediatamente anterior aos eventos da primeira guerra mundial, e expondo todas as facetas psicológicas dos seus representantes, – Castorp, o “normal” – talvez o próprio leitor; Joachim, o aspirante militar – o senso de dever, a obrigação; Ludovico Settembrini o cativante humanista (que acabou entrando em minha galeria pessoal de personagens inesquecíveis. Um dia, talvez, ganhe um post à parte)…mas para não alongar demais o texto, há personagens radicais, conservadores, religiosos…dando a sensação, graças aos fantásticos e extensos diálogos, que uma avalanche provocada pelos grandiosos (e quase sempre “faiscantes”) debates é algo inevitável.

E chegamos ao topo da montanha…

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P.S - Só um ridículo atribuiria notas numéricas para livros, mas se eu fosse forçado a isso, A Montanha Mágica não seria uma obra nota 10, e sim 9, apenas em razão de que bem poderia ter umas duzentas páginas a menos sem grande prejuízo.

Categorias: Literatura · Relatos

Natal ‘07

Dezembro 25, 2007 · 1 Comentário

Eu até gostaria, de certa forma, de apreciar mais o natal, mas realmente ele não me apraz mais como antigamente. Creio que o mesmo ocorre com meus demais amigos (reais e virtuais). Só nos resta a incomodação da correria desvairada que essa época do ano nos proporciona, além do sorriso amarelo e forçado que somos obrigados a exibir para pessoas não exatamente agradáveis, que não despertam o tal do sincero desejo de “boas coisas” inerentes ao fim de ano.

Muitos provavelmente vão fazer meu Messenger enlouquecer para dizer que é um momento positivo para reencontro com pais, família, etc et al; concordaria plenamente com meus amigos do interior no qual essas constantes são variáveis eventuais do “de vez em quando” e não da “maldição permanente”, mas enfim…

Mas e a deliciosa ceia de natal, William? Ah claro, muito boa, minha dieta vai adorar…

Sei, consigo ser um tanto rabugento às vezes…

Categorias: Cotidiano · Mau Humor

Sísifo

Dezembro 24, 2007 · Deixe um comentário

O calor é enlouquecedor, mas eu nem dou tanta importância mais. Deve ser a tal da evolução natural, não sei, mas certamente seria particularmente doloroso passar todo esse calorão até, provavelmente, meados deste século (sim, estou meio otimista hoje…e apenas hoje).

Algumas considerações sobre o otimismo: ele é exatamente o que eu chamaria de “sensação de bem-estar sem propósito algum com a qual minha mente me manipula”, tudo que é sem razão é gratuito…tal qual essa minha leve tendência isolacionista dos últimos dias – por vezes é terrível não desfrutar e considerar plenamente as pessoas que estimo -, talvez até por isso eu tenha deixado de escrever aqui, aliando o isolamento real ao virtual – mas é mentira, não escrevi por quê tenho tido muitas atividades inadiáveis mesmo.
Estou naquela coisa de querer resolver todos os problemas que não resolvi durante o ano em poucos dias, se possível antes do natal – mas já me conformei em acabar tudo até o fim do ano mesmo.

Ahh, aquela ânsia extrema de consertar a si mesmo e todo o possível à nossa volta. Sim, algo um tanto infantil…o William de 7 anos se diverte assistindo a atividade típica de Sísifo de empurrar uma pedra morro acima para próximo ao topo ela rolar morro abaixo, ad eternum

P.S - Só me resta sentar junto com meu ego mais jovem e rir junto…

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Clinical, Intellectual, Cynical…

Dezembro 14, 2007 · Deixe um comentário

Entre meu Top Five das letras de músicas (e dê-lhe High Fidelity), certamente se destaca o de Logical Song, do Supertramp, do bom Breakfast in America, de 1979. Sou daqueles que conheceu oficialmente a banda por causa da trilha sonora do estupendo Magnolia, uns anos atrás, embora logicamente (sim, trocadilho) já conhecesse esta canção em específico de antemão (um clássico, lógico…).

Ahhh, as rádios de velharias contribuem para algo, além do sono para insones. Abaixo, o video, e a letra com alguns comentários.

P.S - Inaugurando a categoria “Sentido da Vida”.

When I was young, it seemed that life was so wonderful,
A miracle, oh it was beautiful, magical.
And all the birds in the trees, well theyd be singing so happily,
Joyfully, playfully watching me. [sempre achava que me observavam mesmo]
But then they send me away to teach me how to be sensible,
Logical, responsible, practical. [Primeira transformação aos dezessete anos]
And they showed me a world where I could be so dependable,
Clinical, intellectual, cynical. [Segunda transformação, recentemente]

There are times when all the worlds asleep,
The questions run too deep
For such a simple man.
Wont you please, please tell me what weve learned
I know it sounds absurd
But please tell me who I am. [não é tão absurdo, 99% das pessoas ainda não sabem quem são, e provavelmente nunca saberão]

Now watch what you say or theyll be calling you a radical,
Liberal, fanatical, criminal. [Aham ! , pessoas de bom senso sempre devem cuidar do que falam, estão sempe sendo policiadas por delirantes de várias vertentes de pensamento]
Wont you sign up your name, wed like to feel youre
Acceptable, respecable, presentable, a vegtable!

At night, when all the worlds asleep,
The questions run so deep
For such a simple man. [Pensar na vida antess de dormir é meio torturante mesmo...]
Wont you please, please tell me what weve learned
I know it sounds absurd
But please tell me who I am.

Categorias: Entretenimento · Música · Sentido da Vida

Help!

Dezembro 11, 2007 · Deixe um comentário

Maldigo tudo e todos ao contato desagradável da pele quente do rosto com o travesseiro, fruto do quarto abafado dessas noites horríveis. Pequenas explosões de raiva que saíram da freqüência esporádica tradicional para uma desconfortável rotina diária.
Pode ser que o calor seja o maior responsável por tudo, mas em uma boa parte sou eu. Ah, sim, a culpa ….em verdade esqueçam o calor, é toda minha!!!

Posso ir à cozinha tomar um copo de água, me refrescar, mas até a fuga para lá possui obstáculos: o circulador de ar que está no chão, sapatos, uma porta levemente emperrada….e o maior de todos: minha preguiça extrema.

Aí está, apenas uma exemplo aplicado bobo dos problemas que me angustiam e não tenho capacidade de resolvê-los. Tal como se em vez de obstáculos simples para transpor eu tivesse minas subterrâneas aos meus pés, e ao meu redor. Então lá está, o bobo William sem dar um passo em qualquer direção, sem coragem, mesmo sabendo muito bem que aquilo não passa de pura ilusão, que quando amanhecer, ou mesmo se eu ligar a luz, as minas subterrâneas psicológicas somem e no lugar delas retornam os sapatos, e o ventilador…mas não, a tendência da falta de movimento que sempre me acometeu gera uma infinita energia letárgica, que emana da já citada preguiça e que condena ao bobo ficar em eterno estado estático numa confortável ilha de auto-isolamento no meio do mar da ilusão.

Mas tenho medo que a noite não termine nunca, e mesmo temo que a lâmpada do meu quarto esteja queimada…

Salvação seria….reconhecer que a propalada preguiça seja uma transformação comportada da minha sempre maldita insegurança e covardia. Eu sempre dou um jeito de não admitir as coisas diretamente, ou mesmo de enfeitá-las…

Aflições, aflições….

P.S Irrelevante - Tem sido muito difícil limitar a um número menor as categorias dos textos, como por exemplo este.

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Disco de Cabeceira Atual: The BeatlesHelp! – 1965

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