Provavelmente, em poucos meses, irei fazer uma cirurgia corretiva da miopia nos olhos. Um problema de nascença (que grande sorte a minha), que – seguindo o tradicional roteiro, quem é míope sabe – foi ficando cada vez pior e pior conforme os anos passaram, principalmente na fase de crescimento da adolescência (“Vamos ver para qual grau tu foi este ano, William…”), até o já previsto e miraculoso estancamento da evolução da mesma aos 18 anos.
Desde novo (precisamente desde os 7 anos) falavam-me que poderia fazer essa operação quando tivesse tal idade, que não necessitaria utilizar óculos para todo o sempre; sim, pois nos anos 90 era de praxe uma perseguição sistemática e implacável na escola contra os pobres e indefesos “quatro-olhos” como eu me enquadrava.
O fato é que realmente utilizar óculos era algo mais complicado na época, o mundo era um tanto retrógrado (ainda existe essa de quatro-olhos? Não creio) e as armações dos óculos ainda mais, pesadas e feias. Conforme o século XX se despedia e o XXI estendia a mão, nossos nem sempre queridos envidraçados emagreceram e ficaram mais simpáticos, até que um dia a própria armação quase desapareceu, um bem-vindo milagre da engenharia, na minha opinião. Na atualidade, exibir os tais vidros (vidro não, policarbonato, não quebra….mas arranha bem facilmente) é algo até bacaninha, tal qual o antes considerado horroroso aparelho dentário.

Mas voltando ao fio da meada, o que ocorreu é que o ano do décimo oitavo aniversário chegou, um tal de dois mil e três….e nada. Sim, acabei simplesmente me esquecendo da tão acalentada cirurgia. Tal anseio se perdeu em algum ponto do tempo, do qual não saberia precisar agora, os motivos possivelmente se enquadram na explicação anterior. A idéia até voltava, com alguma peridiocidade reduzida, bem apagada….e…
….e então chegamos em um ponto próximo ao epílogo de dois mil e sete. Um belo dia acordo e decido: “Vou consertar esta miopia estúpida…”, assim, do nada, ignorando mesmo toda a identidade visual, uma marca pessoal que acabou se acoplando a mim com as lentes neste anos. É, concordo…mas tudo é questão de costume.
Até eu estranho tais rompantes de trezentos e sessenta graus com os quais posso acordar um belo dia, embora eles não sejam do tipo fogo em palha, bastando lembrar um belo dia de carnaval no qual acordei decidido a perder 25kg até o fim do ano….mas isso é história para outro dia.
O Policarbonato da Minha Vida
Novembro 20, 2007 · 3 Comentários
Categorias: Cotidiano · Frivolidades



3 respostas Até agora ↓
Dora // Novembro 20, 2007 às 2:54 am |
Eu não tenho coragem de fazer essa cirurgia… mas de emagrecer eu tenho. Já perdi 5 quilos desde que a gente se conheceu. Quando a gente se ver de novo, vc não vai me reconhecer mair. :}
PRK - Eye In The Sky (Primeira Parte) « “Esperando pela Chuva” ou “Contraponto Etílico-Existencial” // Fevereiro 25, 2008 às 3:02 am |
[...] a muito tempo atrás, esquecido por uns tempos, e relembrado recentemente (comentei algo sobre isso aqui), finalmente, em um impulso corajoso, posto em [...]
Rogério // Julho 22, 2008 às 10:47 pm |
Gostei muito de ler sua saga pelos caminhos de uma nova visão. Obtive informações valiosas. Fiz a cirurgia a pouco tempo, estou no 11º dia e sentindo justamente o que você percebeu. Que bom ver que tudo isso é passageiro e saber que dias melhores virão! Até o momento eu não consigo parar de pensar que posso usar óculos novamente, o que seria muito ruim. Obrigado e parabéns pela iniciativa.
Rogério