"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Maio 2007

Desculpe, Babe…

Maio 27, 2007 · Deixe um comentário

..não vou brincar com você, o show dos Mutantes foi ótimo. Com duração de uma hora e cinqüenta minutos e exatamente o mesmo setlist do Barbican ano passado, os irmãos Dias Baptista (With a Little Help From Their Friends) fizeram o público de um teatro do Sesi lotado amaldiçoar a existência daquelas cadeiras estúpidas nos momentos mais elétricos.
Enfim, boas duas horas de diversão, aliado à experiência indescritível de ter aquelas lendas vivas logo ali à frente.

Interna (de quem foi ao show): Nunca duvidem do preparo físico do Arnaldo.

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“The Name Of The Band Is Talking Heads”

Maio 19, 2007 · Deixe um comentário


Tenho escutado frenéticamente a maravilhosa banda de David Byrne & Cia, um dos ícones do rock dos anos 80 (sim, ele de fato existiu).
Eis o clássico e divertido clipe de uma das músicas mais conhecidas, a primeira faixa do disco Little Creatures, de 1985.

E a letra, para quem se interessar…

Talking HeadsAnd She Was

And she was lying in the grass
And she could hear the highway breathing
And she could see a nearby factory
She’s making sure she is not dreaming
See the lights of a neighbor’s house
Now she’s starting to rise
Take a minute to concentrate
And she opens up her eyes

The world was moving and she was right there with it (and she was)
The world was moving she was floating above it (and she was) and she was

And she was drifting through the backyard
And she was taking off her dress
And she was moving very slowly
Rising up above the earth
Moving into the universe
Drifting this way and that
Not touching ground at all
Up above the yard

She was glad about it… no doubt about it
She isn’t sure where she’s gone
No time to think about what to tell them
No time to think about what she’s done
And she was

And she was looking at herself
And things were looking like a movie
She had a pleasant elevation
She’s moving out in all directions

Joining the world of missing persons (and she was)
Missing enough to feel alright (and she was)

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Atrocity Exhibition (II)

Maio 19, 2007 · Deixe um comentário

Olhei distraidamente para aquele cachorro manco que de maneira sofrível andava pelo canteiro central daquela avenida movimentada, naquele dia frio, naquele ano terrível. Quando ele, de maneira temerária, finalmente decidiu-se pela grande aventura da travessia minha distração casual se foi, e eu o acompanhei; juro que se eu não o ajudasse a desviar dos numerosos carros com meu olhar aflito ele jamais teria conseguido tal façanha com êxito.

Fiquei surpreso ao perceber meu sorriso discreto ao concluir que não teria que cobrar ingressos dos transeuntes ávidos por mais alguma novidade dentro do nosso adorável museu do caos.

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Doze Mil Setecentos e Trinta e Seis

Maio 19, 2007 · 1 Comentário

Agora, um pequeno exercício de culto ao ego…

Acabo de fazer todos os cálculos pertinentes e detectei 12736 arquivos de mp3 no meu computador. Tal quantidade me fornece 850h34m12s.
Sim, oitocentos e cinqüenta horas, trinta e quatro minutos e doze segundos de áudio.
Para melhor entender tal grandeza, essa quantidade de tempo é equivalente a mais de trinta e cinco dias de som ininterrupto, sem repetir nenhuma faixa. De A-ha até Zombies.
Este acervo barulhento vem sendo elaborado desde o longínquo ano de 2000, porém ele cresceu certamente de forma exponencial – de verdade – apenas de dois anos para cá, com a notável melhoria das minhas condições de acesso a internet.
E a extravagância prossegue, desde o início do ano tenho um HD de 80gb apenas para a pasta de mp3. Na ocasião pensava eu que meus problemas estavam definitivamente resolvidos, porém percebo agora, quando vejo a rechonchuda informação de 59.2 gb de espaço utilizado, que provavelmente terei problemas de espaço em aproximadamente um ano.

Bem, vou escutando algo bom enquanto penso nisso…

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Fragmento [...]

Maio 12, 2007 · 1 Comentário

***Naqueles tempos difíceis de abandono, juntamente com aquelas noites extremamente frias, aquele – sem dúvida – era o leal e mais valoroso amigo de Paulo, a despeito do estado de conservação um tanto discutível. Certamente seus amigos, os poucos de carne e osso que sobravam, atribuíam que Paulo não poderia existir sem aquele já puído casaco de flanela com forração; por outro lado, alguns já concluíam que aquela vestimenta – que já fora extremamente magnífica em termos estéticos, um dia – não poderia existir sem seu dono dentro. Não que se fosse retirado ela poderia simplesmente se desintegrar, mas pelo fato de – ao senso comum – o casaco e dono já terem uma espécie de ligação entre si, ou algo do gênero (eles não sabiam explicar melhor, nem se esforçavam para tanto).
Ele, entre um copo e outro de vinho de procedência suspeita, se felicitava de ter aquele casaco; sentia a textura do pano com os dedos, uma sensação agradável ao tato; sequer se lamentava do fato de um dos profundos bolsos – o direito – estar com um furo considerável, ele não tinha nada para guardar dentro dele, com exceção de sua mão. Por vezes, quando se aventurava em um dos albergues da cidade, ele acabava sem pregar o olho a noite inteira com medo que lhe roubassem o casaco. Nessas ocasiões, ficava estirado na cama, tentando não pensar em nada, olhando com uma atenção distraída para aquela sua preciosa vestimenta cuidadosamente enroscada entre seus braços e sua cabeça (uma velha estratégia anti-furto); já havia calculado centenas de vezes o número de quadrados das estampas cinzas e suas variações do mesmo tom, tão típicas de casacos de flanela; da última vez a contagem tinha sido de setenta e nove, da penúltima setenta e oito: Paulo ficava confuso, o casaco crescia de alguma forma. Depois da madrugada de vigília, quando finalmente amanhecia e chegava a hora de sair, ele colocava sua roupa, sem nunca deixar de perceber aqueles dois botões que faltavam, um na abertura principal e outro na manga esquerda. Realmente não lembrava de tê-los perdidos, por outro lado não conseguia lembrar de nenhum momento no qual aquele casaco tivesse tido aqueles dois botões algum dia; era como se o casaco já tivesse, caprichosamente, sido concebido daquela maneira errática.

***Fragmento de um texto elaborado para a aula de Língua Portuguesa B, da faculdade. Qualquer semelhança com qualquer coisa que o Orwell já tenha escrito, ou com um velho e célebre casaco que eu tive, é mera coincidência.

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