Ele esperava pelo demorado elevador para poder descer ao térreo – estava demasiado cansado, depois daquele longo dia, mesmo para o relativo pouco esforço da descida – praticando o grande esforço de não pensar em absolutamente nada (prática que obteve relativo sucesso naqueles últimos dias) quando o sentido da audição capturou grandes batidas rítmicas contra o chão. Olhou para a direção do som, curioso em saber quem castigava o piso daquela forma descortês, descobrindo então que se tratava – espantosamente – de uma mocinha delicada que passava rapidamente pelo corredor daquele andar. Ele, já se recuperando da surpresa, tentou esboçar algo parecido com boa educação e a cumprimentou sorridentemente quando ela passou ao seu lado. A mocinha não se dignou a olhar em sua direção, respondendo a atenção dele com algo parecido com um grunhido.
“Qualquer dia desses fazem uma lei que tornará facultativa a boa educação depois das 18h”, pensou, ao mesmo tempo em que abriam as portas do elevador rumo ao térreo.
No dia seguinte cruzaram seus caminhos novamente, pela parte da manhã. “Bom dia”, ela disse, em uma atitude respeitosa bem distinta do dia anterior. Ele não se conteve, em razão do acontecido na véspera, e respondeu : ”Bom dia? Oh, ingênua e otimista mocinha…”. Riu-se o dia inteiro,quando se lembrava da cara estupefata daquela mocinha à sua resposta.



3 respostas Até agora ↓
Carla // Abril 21, 2007 às 8:26 pm |
sou conhecida pelo plec plec que sou capaz de fazer pelos corredores fabicanos.
senti uma pequena alfinetada levemente indereta, mas tudo bem.
o que importa é a reestréia.
Personificação da delicadeza at Enfim… // Abril 21, 2007 às 8:42 pm |
[...] Descreveram-me com perfeição aqui. [...]
(IV) « “Esperando pela Chuva” ou “Contraponto Etílico-Existencial” // Abril 22, 2008 às 4:15 am |
[...] seu usual e exótico [outros adjetivos são suprimidos nesta versão] modo de andar – tal qual como naquele dia. Perguntou-me, ruidosamente, se a bolsista estava; dizendo-lhe a verdade, neguei (maldita sortuda). [...]