"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Abril 2007

Coffee and Cigarette (But Without Bees)

Abril 21, 2007 · 2 Comentários

Todos que me conhecem razoavelmente sabem da minha paixão por um bom café preto, extra forte, sem açúcar (que asco me dá quando vejo adoçarem o café…uma heresia), e que cultivo o hábito de tomar o mesmo quase todas as manhãs na faculdade, com paz e tranqüilidade.
Paz e tranqüilidade, será?
De umas semanas para cá abelhas tem se feito presentes no pátio da faculdade, fazendo uma espécie de colméia em uma lixeira próxima aos bancos. Constatei com surpresa e raiva que elas AMAM meu café, surgindo sempre um pelotão com cerca de uma dezena delas logo que saio com o precioso líquido escuro para a rua.
Não entendo a razão de tal preferência bizarra; como já disse, meu café não é adoçado de nenhuma forma, provavelmente sendo o líquido mais amargo e repugnante de todo o Campus Saúde. Não estamos vivendo tempos sensatos, e as abelhas refletem isso.
Em uma ocasião percebi que as abelhas evitam se aproximar de pessoas que estejam fumando. Bom, então tive que tomar uma atitude drástica para afastar as abelhas de meu café…sim, talvez uma atitude tola e insensata – válida contra pequenos seres tontos e insensatos – apenas para defender o meu café.
Admito, estou apenas tentando dar uma engraçada desculpa para um péssimo hábito.

Mas como eu já afirmei, são tempos insensatos estes…

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Disco de Cabeceira Atual: The Smashing PumpkinsSiamese Dream – 1993

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(Longos Quinze Dias) Na Espera

Abril 21, 2007 · 1 Comentário

Fiz este texto para a aula de Língua Portuguesa da Faculdade, como gostaram muito dele por lá (e estou com pouco material para publicar), aqui vai ele…levemente retrabalhado.

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Recordo de uma lição e tanto na minha vida que tive certa vez; aos vinte anos de idade, por características pessoais e por um grande autocontrole, eu tinha a convicção total de que quase nada seria capaz de me abalar emocionalmente, tendo até certo orgulho disso. Porém, eis que um rápido desencadear de fatos confrontou diretamente tal visão: tudo aconteceu a cerca de dois anos, mas a lembrança é tal qual como se fosse semana retrasada. Minha mãe fazia um tratamento dentário na ocasião, e o dentista descobriu o que ele denominou de “estranhos nódulos” (nome médico pomposo para caroços) na parte de baixo da boca dela. Essas anomalias foram retiradas para uma análise detalhada em um laboratório; claro, afinal não eram coisas que normalmente aparecem dentro de uma boca, com o terrível agravante de serem clássicos sinais de câncer no local, na maior parte dos casos.

No mesmo dia, na mesa do jantar, minha mãe me relatou a situação de uma maneira forçosamente casual (“a propósito, provavelmente eu esteja com câncer, pode me alcançar o sal?”), o que provavelmente exacerbou minha sensação de arraso, injustiça, piedade, do mundo desabar embaixo dos pés, etc; que se manifestaram exteriormente em mim com um empalidecimento notável e uma súbita perda de apetite.

O resultado da análise saía em duas semanas; pois bem, foram as piores duas semanas da minha vida, nesse período de tempo entendi plenamente o conceito de ansiedade, angústia e pavor; por outro lado foi nessa ocasião que eu finalmente percebi o quanto de fato amava minha mãe. Sim, sempre sou insensível, talvez mesmo ingrato; mas foi só algo ameaçá-la para eu ficar quase histérico e sem saber direito aonde pisar no chão (e quem me conhece sabe o quanto esse comportamento, de fato, não combina muito comigo).

As malditas duas semanas finalmente se foram, e então ela pediu gentilmente que eu fosse buscar os resultados – alegava estar muito ocupada no dia – que ela chamava eufemisticamente de “exames”, sendo que tal pedido soou para mim como uma brincadeira de mau gosto com requintes de crueldade. Ao recebê-los eu fiquei um tanto tentado em abri-los, acabando – positiva ou negativamente – com aquela angústia que me deixava febril, mas resisti, mantive o envelope intacto para sua destinatária, eu ainda tinha estômago para seguir o raciocínio de que era ela quem deveria ler aquele nefasto papel primeiro.

Senti o chão firmar-se novamente e a incômoda mistura de angústia e tensão se esvaírem quando ela leu e disse : ”Nada, eram apenas tumores benignos”. De fato, não eram muito graves se comparáveis com um câncer. Alívio geral, mas nunca me saiu da mente aquele horror que foi vivenciado; e como ela – a vítima disso – se comportou com muito mais calma e dignidade do que eu, pouco mais que um expectador de luxo.

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Atrocity Exhibition (I)

Abril 21, 2007 · 3 Comentários

Ele esperava pelo demorado elevador para poder descer ao térreo – estava demasiado cansado, depois daquele longo dia, mesmo para o relativo pouco esforço da descida – praticando o grande esforço de não pensar em absolutamente nada (prática que obteve relativo sucesso naqueles últimos dias) quando o sentido da audição capturou grandes batidas rítmicas contra o chão. Olhou para a direção do som, curioso em saber quem castigava o piso daquela forma descortês, descobrindo então que se tratava – espantosamente – de uma mocinha delicada que passava rapidamente pelo corredor daquele andar. Ele, já se recuperando da surpresa, tentou esboçar algo parecido com boa educação e a cumprimentou sorridentemente quando ela passou ao seu lado. A mocinha não se dignou a olhar em sua direção, respondendo a atenção dele com algo parecido com um grunhido.
Qualquer dia desses fazem uma lei que tornará facultativa a boa educação depois das 18h”, pensou, ao mesmo tempo em que abriam as portas do elevador rumo ao térreo.
No dia seguinte cruzaram seus caminhos novamente, pela parte da manhã. “Bom dia”, ela disse, em uma atitude respeitosa bem distinta do dia anterior. Ele não se conteve, em razão do acontecido na véspera, e respondeu : ”Bom dia? Oh, ingênua e otimista mocinha…”. Riu-se o dia inteiro,quando se lembrava da cara estupefata daquela mocinha à sua resposta.

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