Eram três horas da madrugada de Domingo, chegava eu de uma tradicional incursão à Cidade Baixa e, consideravelmente embriagado, nada tinha por objetivo além de chegar até minha cama. Mas eis que ao cruzar o corredor que liga a sala ao meu quarto percebi – mais do que senti – que a ponta do tênis direito bateu em alguma coisa no caminho, ao mesmo tempo em que escutei um leve guincho…rapidamente liguei a luz e vi um rato tentando desesperadamente ocultar sua presença em meu lar. Sem hesitar peguei a vassoura e, auxiliado pelos sempre eficientes bicos dos all stars, e pela idiotice do meu alvo em se encurralar em um canto de parede acabei com a raça do bicho, claro….sem deixar de fazer uma pequena balbúrdia com a batalha.
Depois de livrar minha casa da presença do nojento espécime, fui dormir – finalmente – sem dar muita atenção para o incidente, enfim: “caso encerrado“, pensava eu.
Na noite seguinte, de Domingo para Segunda-Feira, fazia minha habitual leitura, já deitado na cama esperando o sono vir, quando algo mais além de Recordações da Casa dos Mortos me chamou a atenção: barulhos no forro do quarto. Guinchos, correria de pequenas patinhas, enfim…uma algazarra a 4 metros de altura.
“Ratos!”, elucidei instantaneamente, porém não havia nada o que fazer no momento. Subir no sótão sempre poeirento e escuro – mesmo de dia claro – estava absolutamente fora de questão na hora. Tive que conformar-me em virar para o canto e dormir, deixando os ratos fazendo um pequeno ensaio para o carnaval sobre minha cabeça.
Posso dizer, é deveras desagradável saber que há bichos naturalmente nojentos, transmissores de inúmeras doenças a poucos metros de ti. Dormir então? Fácil ! Claro…

A portinhola que me separa do inferno…
Durante a Segunda-Feira decidi subir ao sótão (que curiosamente é acessível através de uma pequena portinhola localizada no meu próprio quarto…coisas de casa antiga) para melhor avaliar a situação. Mal consegui meter a cabeça pela portinhola, pois com essa breve amostra descobri que o ar era irrespirável e que a iluminação era muito mais precária do que imaginava.
Resolvi contra-atacar no dia seguinte (o curioso é que a noite de Segunda para Terça foi bastante tranqüila…acho que os ratos queriam me convencer de que haviam partido), para tanto obtive um porrete e veneno para entreter os ratos e uma máscara de rosto da biblioteca (daquelas de prevenção ao pó) para me proteger de inimigos ainda menores e muito mais perigosos do que os ratos.

Apenas para ilustrar um legítimo rato de telhado, os mortos ficaram feios demais para bater fotos…
Bueno…sabendo que eles têm hábitos predominantemente noturnos (Obrigado, Wikipédia) resolvi fazer o trabalho sujo próximo ao anoitecer, e de fato…lá estavam dois deles, que foram devidamente linchados. Após, fiz um exame minucioso dos possíveis locais de entrada dos ratos, o que me exasperou, pois não encontrei nada relevante, só uma pequena cavidade em um canto, pequena demais mesmo para ratos. Será que eles entraram lá em cima filhotes??? Não sei…mas amanhã subirei lá novamente para vedar aquilo.

Não, aquilo não é uma cauda de rato, é só um fio de telefone…
Ao fim, espalhei, cuidadosamente, o veneno em locais estratégicos (antes tomei o cuidado de vedar eventuais orifícios do forro entre o sótão e os quartos da casa) e, esperando que aquela bomba química aniquile e seque eventuais roedores que porventura estavam ausentes no momento do ataque, dei por encerrada esta aventura.
Mas, sem sombra de dúvida, precisei de um banho logo após…
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Disco de Cabeceira Atual: Eric Clapton – Slowhand – 1977