Bem, vamos a tradicional atividade de elaboração de listas de melhores discos (que escutei), em 2006. Não fiz esta lista brincadeira no fim de 2005 por ser o ano em questão extremamente pobre em coisas relevantes; não que 2006 tenha sido muito melhor, por exemplo: não consegui preencher um simples levantamento de dez álbuns, então – no melhor estilo High Fidelity – vamos a um Top Five, acrescidos de mais alguns álbuns que chamaram a atenção:
1° Lugar

Morrissey – Ringleader of the Tormentors
Não vou discutir a respeito de quanto é suspeito um grande fã de Smiths como eu eleger este o melhor álbum (não disparado, mas com quase empate técnico em relação ao segundo colocado) do ano; mas o fato é: senhoras e senhores, o grande poeta Morrissey está vivo, e este álbum (fazendo uma espécie de dobradinha com a sensacional volta do exílio com o You Are The Quarry, de 2004) tem o potencial de fazer questionar as insuperáveis (em termos de lirismo) qualidades dos discos dos Smiths, além de também levantar a pertinente questão: Johnny Marr era mesmo, assim…tão necessário???
2° Lugar

Isobel Campbell & Mark Lanegan – Ballad Of Broken Seas
Das tantas possíveis parcerias musicais, esta com certeza foi a que mais passou longe da minha cabeça, mas o belíssimo resultado final, que agradabilíssima boa surpresa !
Comparemos a delicadeza (quem sabe o francesismo, por vezes enjoante? )do Gentle Waves com qualquer disco movido a desespero mais whisky e assemelhados de Mark Lanegan. Isobel é um doce licor, Lanegan é um respeitável vinho tinto seco de boa qualidade. Qual o resultado da mistura dessas bebidas? Não, ao contrário da maioria das misturas alcoólicas essa passou longe de gerar a tão conhecida e desagradável dor de cabeça – apesar do grande estranhamento inicial – e sim surpreende pela força da união inesperadamente perfeita do melhor de dois mundos, antes aparentemente tão diametralmente opostos.
3° Lugar

Pearl Jam – Pearl Jam a.k.a “Disco do Abacate”
Depois da inesquecível seqüência de shows da turnê sul-americana no fim do ano passado (incluindo Porto Alegre!), o velho PJ entrou em estúdio embalado e soltou esse assombroso petardo que ora remete aos tempos do Vitalogy, ora à época do Yield, com o diferencial da exacerbação da já reconhecida orientação política da banda. Só não é primeiro lugar pela falta de ousadia, que, reconheço, quase chateia.
Tudo bem, talvez um dia o PJ fará seu disco duplo conceitual.
4° Lugar

Cat Power – The Greatest
O bom da Cat Power é que as as altas expectativas ante a um lançamento sempre acabam supridas por um ótimo disco, e The Greatest não é exceção a regra. O álbum segue uma tendência mais….como posso dizer? Céu limpo e com poucas nuvens de tempestade que ela adotou nos últimos três anos. Por falar em três anos, o único defeito da cantora/compositora é lançar discos com essa dilatada peridiocidade.
5° Lugar

Jorge Drexler – 12 segundos de Oscuridad
Não, ele não era uma tempestade de verão (em relação ao sucesso) passageira. Não, ele não deixou o sucesso do merecidíssimo Oscar de 2004 subir a cabeça. Sim, ele é uruguaio. Sim, ele é um letrista sensacional. Sim, ele é Drexler, conseguindo um álbum ainda melhor que o já ótimo Eco, de 2004.
Aquela música com barulhinhos do MSN (La Infidelidad em la Era Informática) é impagável. Enfim, presença garantida no Mp3 Player.
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Ainda merecem menção honrosa (mas não o suficiente para entrar na lista) o bom The Life Pursuit, do Belle & Sebastian – que mesmo não sendo a melhor coisa já feita pelo grupo pelo menos é superior aos dois ou três últimos discos, dando assim uma salutar revigorada nessa banda que gosto, porém que eu desconfiava estar murchando; Living With War: disco anti-guerra do Iraque e anti-Bush de meu adorado tio Neil Young, (voltando a plugar as guitarras depois de anos) feito bastante despretensiosamente, porém, em minha opinião, o melhor disco dele desde o Broken Arrow, de 1996; e logicamente o Broken Boy Soldiers, do Raconteurs, que me faz começar a desconfiar que o Jack White está se tornando uma lenda viva do Rock, feito assombroso nos obscuros dias atuais.