"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Setembro 2006

O Banquete do Mendigo

Setembro 17, 2006 · Deixe um comentário

Apenas um relato que não possui absolutamente nada a respeito de problemas sociais, mas sim de problemas “sociais”.

Ele era um indigente social. Vivia em uma profunda pobreza de afeição Tinha consciência de que nenhuma mulher lhe destinava tal coisa…mas também percebia que, eventualmente, alguma quebrava esse quadro; porém mais por uma questão humanitária (pena !!! o mais sórdido, torpe e nojento sentimento humano! – pensava, sempre amargurado).
Procurava permanecer sempre fielmente comportado à sua parede, respeitando o espaço da calçada, nunca atrapalhando a passagem das pedestres com sua tétrica e desagradável figura. Recolhia, com asco, os pequenos “pedaços de afeição” que elas ofereciam de esmola, como um prato de restos de comida, ou mesmo um velho pão já semi-fossilizado…sim, recolhia as “generosas ofertas”, mas com raiva e ódio das suas benfeitoras.
Enfim, tinha ele o seu orgulho, e isso o bastava; estufava seu peito com este bem precioso…e sonhava com o dia em que ele próprio é quem haveria de dar tais esmolas! Ainda tinha alguns resquícios dos tempos de sonhador crônico.
Mas o tempo – pródigo em promover mudanças nas coisas, transformar boas lembranças em pesadelos e vice-versa…e no caso desta narrativa: na vida e na alma de uma pessoa – aparentemente está destruindo o seu orgulho, paulatinamente.
Aliás, dias atrás presenciei algo realmente pouco crível: eu o vi beijando os pés de uma das benfeitoras, agradecido – de verdade – por ter recebido um pedaço de pão um pouco menos velho do que o de costume…

Post-Facto

Tive informações bastante recentes (quentes !) de que a figura central deste relato achou essencialmente indigno de sua parte se lançar de um dos mais célebres viadutos desta cidade, preferindo esquecer que pensou seriamente no assunto por eternos três minutos…

Ao que me consta, o orgulho pode, por vezes, ser letal; principalmente para pessoas excessivamente sensíveis. Me preocupo com a sorte de tal infeliz figura, mas como dizem: “o mundo é assim mesmo”…

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Disco de Cabeceira Atual: Buena Vista Social Club – 1997

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Mergulho [Para Descontrair]

Setembro 12, 2006 · Deixe um comentário

Não é muito de minha linha, reconhecidamente mais séria. Porém não resisti em colocar esta pérola aqui…
P.S – Nada como um pouco de água fria para melhorar de uma bebedeira…

Categorias: Entretenimento

(…)

Setembro 10, 2006 · Deixe um comentário

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Mais um Domingo sonolento, sem cores, sem preenchimento….
E houve um tempo em que vazio existencial ainda rendia alguma criatividade….

Categorias: Depressão

“Balada do Insuportável” x “Ópera do Desagradável”

Setembro 4, 2006 · 2 Comentários

Tenho estado em um estado de espírito desperto e lúcido, algo salutar de certa forma, parece que o futuro sombrio – que eu antevinha – a curto prazo é no máximo um cinza…escuro. Mas outros estados me desgastam, por exemplo : tenho estado sem paciência para qualquer perda de tempo, qualquer preenchimento forçado do vazio existencial (leia-se “encheção de lingüiça cotidiana”). Aliás, é estranho…sim, eu mesmo me estranho, pois percebi que não tenho mais suportado minhas lamuriosas queixas contra a vida, e muito menos tenho suportado este comportamento alheio.E como admito que pode soar forçado este “insuportável”, portanto troco por um “desagradável”.
Pragmatismo, acho que seria o termo. Vou explicar melhor.

Nos dias atuais, por força desta conjuntura desfavorável aos nossos sonhos e esperanças, somos forçados a nem sempre seguir nossos mais nobres instintos e ideologias de vida, mas sim seguir o mais urgente, bárbaro, porém racional instinto de sobrevivência. Aceita-se as coisas como elas são, por infelicidade de ser, como indivíduo, uma força muito menor do que as ditas cujas, por mais pérfidas que elas sejam.
Enfim, é importante estarmos cientes que destruímos o resto de nossa dignidade humana por um pouco mais de paz e tranquilidade, pelo menos até o fim da nossa derradeira partida de xadrez com a morte (sim, andei vendo “O Sétimo Selo”). Entender isto é importante; o processo todo é, por si, algo simples e fácil de ser compreendido.

E olhamos para o que restou de nossa dignidade, nobres instintos e todo o resto dessa linha de pensamento, e o que fazemos? Recolhe-se, furtivamente, os pedaços mais importantes e guardamos, como um grande segredo, no bolso.
É aquela coisa de “carregar os cacos nos bolsos”.

Pragmatismo. Estou ficando velho. Vou dormir.

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Disco de Cabeceira Atual: Joni Mitchell – Blue – 1971

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