Entradas do Junho 2006
Eu realmente tenho tido problemas com prazos e metas nos últimos tempos, tanto no trabalho quanto na faculdade e, extrapolando um pouco, até na atualização deste blog…o arquivo ponto doc no qual escrevo ainda ostenta um “Atualização de 20.06.06″ no título, e vejam só quando estou escrevendo.
Mas, se a terapia é boa acabamos a (re)adotando mais cedo, ou mais tarde; então busco aqui nesta essecial perda de tempo um ganho do mesmo em curto prazo para honrar meus tantos compromissos. Procurar inspiração para dois insossos trabalhos da faculdade nem sempre é tarefa fácil e…bem, é nesses momentos nos quais a velha arte do diálogo vazio mostra todo o seu potencial.
É necessário, neste contexto, pensar positivamente (eu devo…repito sempre cá comigo). Apenas mais alguns dias. Só mais dez dias, mais nove…uma contagem regressiva dramática (sim, eu sei que sobreviverei, como nos últimos quatro fins de semestre) para o fim momentâneo destes pouco produtivos últimos instantes de semestre. A expectativa do tempo livre para ler meus livros que as férias proporcionarão quase me deixa feliz.
Ei !!! Parece que já tenho algo para postar…
P.S – Ah, maldita crise de criatividade…
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b)As cold as silence…
…e assim começa uma semana. Segunda-Feira. Névoa fria. A sempre sofrível ação de cair da cama e sair engatinhando pela rua, apalpando a calçada fria até encostar-me no poste do ponto do ônibus. Seria hipócrita da minha parte afirmar que a intensa neblina da manhã me desagrada. Absolutamente. Um dos meus princípios preconiza que a vida começa em Junho, a vida começa com a névoa, e a vida (re)começa com o frio.
Enfim, algo para me confortar neste “doze do seis” solitário (embora eu realmente não esteja pensando muito nisso, só me dei conta do dia à noite) além do delicioso novo disco do Neil Young no meu Mp3 Player.
No ônibus os ruídos do burburinho e do trânsito da Ipiranga não me desconcentram da música, levando-me apenas a ter de aumentar em mais dois pontos o volume do som. Começo a transformar em poesia e letras de música a caprichosamente suja e enevoada Porto Alegre que vislumbro no trajeto entre minha casa e a faculdade. Tudo é tristemente perfeito.
Escuto um estálido forte, e antes que eu dê maior atenção ao fato o ônibus já está estacionando e o motorista afirmando e ordenando, altivo e sem margem para nenhuma contestação: “Estragou ! Todos para fora !”. E os passageiros – eu incluso – levantamo-nos e saímos do veículo, patéticamente conformados, seguindo à risca este civilizado comportamento de brasileiro da primeira-década-do-século-vinte-e-um…e lá estava eu – novamente – apalpando a calçada silenciosamente (Refiro-me ao silêncio interior, uma variante do vazio existencial. Entendem?), tentando fazer uma relação lógica entre o frio e esta espécie de silêncio.
Sim, mudei a trilha sonora; passei o resto do dia escutando o disco mais depressivo do The Cure para me alegrar.
E sim, eu cheguei atrasado, e…ora bolas! É necessário continuar?
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Era fascinante o universo daquela decadente rua da nossa tão decadente Capital, naquela noite fria. Aquelas esquinas são os ícones divisores de uma imensa e natural aventura; corre-se sempre o risco de ser visto como um cliente em potencial de substâncias ilícitas…mas, isto em si não é nenhum impasse que uma ou duas negativas não resolvam, mesmo por quê desta vez eu não carregava vinte e seis dólares em meus bolsos, tal qual aquela canção do Velvet.
Percebi algumas pessoas tremendo de frio na frente daquele bar, e outros que tremiam de…bem, esqueçam. Eu já ia me tornar irrelevante e indiscreto. Sobretudo indiscreto.
Mas, o ponto a ressaltar são algumas das características percebidas nos freqüentadores do local e da respectiva vizinhança. As rodas de diálogo nas calçadas fluem – via de regra – geralmente em torno de alguma garrafa de algum líquido que contenha álcool em sua essência; fato extensamente conhecido, eu admito…porém outras destas rodas efetuam uma construção de idéias dignas de nota.
Eles agem da seguinte forma: Discutem alguma idéia até a exaustão…nisso se incluem movimentos artísticos obscuros até troca de impressões sobre sinfonias e compositores inexistentes. É algo que parece que não vai ter fim nunca, eu quero dizer : uma discussão muito difícil e tremendamente improvável de ser interrompida por qualquer coisa que possa ocorrer em volta – exceto talvez por algum bizarro elemento do acaso.
E o fato é que, chuvas de sapos são coisas que acontecem, relembrando aquele célebre filme.
Voltando ao ponto. Em uma grande e compenetrada discussão nada, em teoria, tira a atenção de seus participantes. Nada. Exceto talvez um ônibus que passa pela rua em baixíssima velocidade, com um elemento atípico: um letreiro de itinerário escrito NONOAI em letras absurdamente garrafais (falando de forma séria, nunca ninguém de nossa cidade havia visto um ônibus com um letreiro de itinerário tão gigantesco). Todos ficaram pasmos…atarantados…era como se Pete Townsend tivesse despedaçado sua guitarra no meio da rua após surgir de um portal extradimensional.
Vi, enojado, a urina molhar a calça de algumas pessoas mais impressionáveis. Ah, novatos…mas, de fato, apenas o ônibus desapareceu – sumindo na próxima esquina – e todos voltaram às suas conversas, como se tal rara e inebriante visão não tivesse passado de um fugaz pesadelo de fim de noite.
Sim, eles optaram por esquecer, e voltaram às exposições de suas teorias de salvação da humanidade.
Estupidamente etílicos, estupidamente afáveis. E estes elementos do acaso, ah…eles, por vezes, fazem a vida quase valer a pena.
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