"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Março 2006

Das Censuras

Março 29, 2006 · Deixe um comentário

[Post Instrumental]

P.S – Sei lá…imaginem qualquer canção instrumental no estilo Sigur Rós; é isso…
P.S 2 – Não levem tão a sério o que eu escrevo aqui, por favor.

Categorias: Depressão · Non Sense · Solidão

Scrap Book

Março 19, 2006 · 1 Comentário

Recentemente, em uma vã tentativa de melhorar minhas miseráveis noites de sono, troquei de colchão, fato que não corria há uns dois pares de anos – e eis que, durante o ato, encontrei um portento arqueológico digno de nota (literalmente) : um velho caderninho de anotações de minhas impressões do mundo, sob uma ótica de dezesseis ou dezessete anos de idade. Era interessante escrever “cartas para anjos deprimidos caídos de um hipotético plano superior”, não que escrevesse-as de fato, mas era como eu chamava à época o “conjunto da obra”, coisa que fazia enorme sentido, principalmente se levasse em conta a temática dos escritos.
Viro e reviro as páginas amareladas atrás de alguma velha idéia latente, e – de fato – vejo uma ou outra levemente promissora…mas a maioria não chega nem perto disso (e não me recrimino, tinha cargas de experiência a menos do que hoje) e chego a conclusão de que algumas coisas de fato mudaram nestes últimos anos, embora não importe o quão diferente eu pense, ou mesmo aja…os pensamentos e fatos negativos ainda tendem a persistirem.
Em uma aleatória página do caderninho encontrei escrito : “Um dia você encontrará tudo daquilo que tanto procura“. Não me preocupei com o contexto no qual a frase foi escrita. Fui em direção à janela com um intuito irracional aflorando, mas…não, no fim não joguei o caderninho fora, apenas precisava de ar fresco.
O caderninho voltou para seu local, embaixo do colchão, daonde nunca deveria ter saído.

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Nota Mental 1 : Esperança nem sempre é falácia, mesmo quando encontrada de forma acidental.

Nota Mental 2 : Vou continuar procurando-a.

Categorias: Ilusões · Solidão

Relâmpagos

Março 5, 2006 · Deixe um comentário

A madrugada abafada e degradante o sufocava em sua cama; e lhe estremecia a idéia de ter de estar em pé às seis horas do dia posterior, para o que definiam como “novo passo”, mas ao qual ele definia como “novo capítulo de uma rotina enfadonha”. Mas, poderia reavaliar aquilo tudo – pensou, virando-se novamente na cama – as tarefas e o trabalho, por mais desanimadoras e desgastantes que fossem, sempre servem como um fator atenuante para sua alma amargurada…uma espécie de fuga lucrativa e não prejudicial. Ocupando seu tempo com tais execráveis atividades mundanas, teria menos tempo para se auto-torturar com seus pensamentos tortuosos e sinuosamente amargos que o consumiam nas últimas semanas – pensou, quase sorrindo.
Sentia que estava à esperar que algo ocorresse (uma sensação recorrente nas últimas semanas) – mas, no caso, não eram os anseios de sempre…e sim algo mais ou menos concreto; enfim…uma chuva, no momento era apenas o que desejava; escutava estrondos distantes e persistentes – Mas nada daquela dádiva custosa irromper aquela atmosfera pesada e abafada pelo calor.
Revirou-se na cama, assumindo uma posição na qual a brisa relativamente fresca do ventilador o atingisse de forma mais eficaz…e acabou por, finalmente, adormecer, perdendo o crepitar dos primeiros pingos da esperada chuva, que caiu com violência durante o resto da madrugada, como se estivesse com pressa em diluir as impurezas do mundo e as amarguras humanas.

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