"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Fevereiro 2006

O Idiota

Fevereiro 25, 2006 · Deixe um comentário

O acossam – covardemente – em tortuosos e intermináveis corredores que são um lúgubre pano de fundo para sua desesperada e ressentida fuga…a fuga para três possíveis locais: o nada, o lugar nenhum ou o esquecimento – e pensar que tudo aquilo ocorria por razão de sua condenação no julgamento de seus graves delitos: honestidade, decência e dignidade em excesso. O juiz havia sido claro em sua posição ao definir que “seria perdoável ao réu uma daquelas péssimas práticas, porém três daquelas atitudes extravagantes ao mesmo tempo eram uma afronta irreconciliável contra todos os homens de bem..”
“Idiota!” – berram os de branco; alguns querendo apenas realmente sua cabeça, outros de fato desejando lhe aplicar a pior das punições: seu esquecimento e negação de sua existência.
Mas eis que ele consegue fugir da gigantesca e ameaçadora vassoura através de um pequeno vão na parede, tal como um rato (o que de fato ele era para os demais indivíduos), para decepção de seus perseguidores; estes se dividiram entre resignados e inconformados, sendo que as opiniões se resumiam sinteticamente em duas frases: “Agora ao menos ele tirou sua carcaça nojenta impregnada de idiotice de nosso campo de visão..” e “Decência, dignidade e honestidade!!! Era o que faltava!!!O que diriam nossos filhos se agíssimos brandamente com aquele verme?”.
Enfim…contudo, “o idiota” ainda vive (alguns sábios dizem que a melhor companhia é a própria, embora isso seja essencialmente discutível) e pensa em algum lugar e – convenhamos – certas pessoas e certos ideais voltam à tona em época menos desfavoráveis e sombrias.

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Aqui um adendo pessoal: a transcrição do dicionário quanto ao adjetivo “idiota”:
1. Sem inteligência. 2. Estúpido, imbecil.

Desta forma, vejo como adequado também lançar luzes sobre o substantivo “inteligência”:
1.Faculdade de entender, pensar, raciocinar. 2. Compreensão, conhecimento profundo.

Desta forma, conclui-se que ao ser humano falta inteligência para a necessidade vital da compreesão e aplicação das constantes existenciais que culminaram com o julgamento e expurgo do “idiota”.
Aliás, por quê “o idiota” é idiota ?

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Sobre o Quê eu Falava ?

Fevereiro 18, 2006 · Deixe um comentário

Tenho passado por outra – das já rotineiras – crise de forte ressentimentos contra a humanidade, também conhecida como “alergia à humanidade em geral”(tm).
O fenômeno sempre se repete desta forma: Olho para todos e sinto raiva da existência de mais de seis bilhões de pessoas acima de pobre e infeliz planetinha…
…basicamente é isso !
Ainda posso alongar desta forma : estes seis bilhões de sacripantas e canalhas (em menor ou maior grau) carregam consigo mais de seis bilhões de mentes pútridas de preconceitos, ignorância e estupidez.
E a desgraça-prima? Sim. Sou um deles – pode existir algo mais deprimente ? É a velha problemática do circulo vicioso da falta de sapiência agregada ao “homo”.
Exemplo recente: pessoas matam e morrem por excrecências como charges de mal gosto e abstrações de ainda mais mal gosto…

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E ainda…no auge destes azedos e abafados dias de meados de Fevereiro, um acontecimento me surpreende; pois vejam : o fato ocorreu de tal forma…minha “chefe” se desequilibrou e começou a cair pela escada, por sorte apenas dois ou três degraus…pois eu, sem a mínima exitação a agarrei e evitei que algo muito pior acontecesse…
Isto ocorreu no dia em que meu péssimo humor e raiva estavam ao auge, pois então o que ocorreu ?….Não sei, esta piada do quotidiano (rimos os dois do ocorrido depois) funcionou à mim como uma faísca analgésica na minha combalida e cansada mente dos últimos tempos…
O bom-moço ainda vive e ressurge quando menos se espera…embora, talvez, apenas não quisesse perder meu emprego. Não sei. Coisas do tal de subconsciente.
Na pior das hipóteses : apenas queria massagear meu ego.
Vou refletir sobre isso no jardim dos fundos. E tentar, até semana que vem, encontrar uma resposta.

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A Hora Rubra

Fevereiro 10, 2006 · Deixe um comentário

Faço parte de um universo em ebulição – o grau de particularidade dele varia conforme o dia – e já admiti que é fato consumado e notado…talvez (espero) não irremediável.
Poderia ser algo edificante, tal como uma ebulição cultural, ou mesmo emocional?! Quem sabe…
…mas vamos andando por que ela se aproxima e me oprime cada vez mais, a cada minuto que escorre em minhas gotas de suor. De cima, ela me enxerga e se adianta às minhas artimanhas de evitá-la.
É digno de nota sua própria artimanha…pois você é consumido (cozinhado ?) se andar muito devagar e é tanto pior se resolver se apressar (fritado ?).
Mas dane-se.
Tenho treze minutos para chegar logo ali adiante nas treze horas (um lugar muito simpático)…mas, em tal momento o calor insano mostra-me o quanto mais insano sou do que ele próprio sonha e se atreve a ser.
É a hora rubra.
Perco o controle sobre mim mesmo, passo a odiar a tudo e a todos, incluindo o próprio ar que respiro…lágrimas escorrem, pois passo a sonhar com minha sala com ar-condicionado que está a cada passo mais próxima…
A sabedoria dita as ações a partir de certa altura da vida…pois então, tens a palavra: “O ideal é não ir tão rápido que pareça ter medo, nem tão devagar pois pode parecer uma sórdida provocação”.
E isso não seria adequado.
Mas enfim… é tudo uma questão de respirar, respirar profunda e pausadamente…
apenas não devo ir muito rápido…nem muito devagar…nem muito rápido…nem muito devagar…
Calor.
Calor insano…e de repente…frio
Frio artificial.
E de repente a hora rubra acaba…me dou um tapinha nas costas e sussurro em meu ouvido : “sobreviveste novamente..”.

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