"Esperando pela Chuva" ou "Enxergando Pelo Lado Positivo"

Entradas do Outubro 2005

L´Age D´Or

Outubro 23, 2005 · Deixe um comentário

23/10/2005………14h07……..tentando escrever um post.

“Contrapondo ao meu usual modo de agir, fui contra meus princípios pré-estabelecidos de não repetir os velhos erros…acho que não aprendi a lição ainda…mas é tão difícil ser racional às vezes…
Sim. Daquela vez foi extremamente doloroso, o que de certa forma balizou bastante minhas ações nos últimos três anos…”nunca cairá novamente neste circulo apaixonadamente vicioso”, até agora não foi tão difícil…mas eis então que por um pequeno descuido a correnteza surge de forma súbita, tentando me arrastar novamente, uma estranha predileção por um dos seus maiores opositores. Verdade.”

Nota 1: Falando muito quanto ao que toca à minha pessoa, mas praticamente non-sense para os outros. Perfeito.

21/10/2005………21h43………Percebendo a natureza das coisas…molhadas. Chuva. Caminho rapidamente, desviando dos carros e das poças…espelhos nebulosos…não, não é hora de pensar nisso…sensação de mágoa intermitente me assola, ponteada ocasionalmente pela aflição de chegar logo em casa e tentar esquecer o tormento da noite. A batalha entre sentimento e razão é mais agradável quando não se está encharcado…

23/10/2005………14h15……..”? ou !”

“Assim, atravesso calmamente (ou nem tanto) pelo território dos meus desejos obsessivos, e, por que não, doentios…traço projetos de poemas telescópicos em uma folha amassada de um dos cadernos da faculdade…tento me reconhecer dentro da poça d´água…mas não. Fracasso. E para piorar, uma fila para exercer meus direitos democráticos obrigatórios compulsórios me aborrece profundamente.
Obsessão. Não combina comigo. Obsessão por alguém. Qual a razão de ser sempre tão difícil admitir ? Desconheço a resposta, que, sinceramente creio não querer conhecer…talvez sejam fatores comportamentais inerentes à mim; ao menos é mais fácil culpar tais fatores. Sempre. Eu acho.”

Nota 2: A covardia sempre precisa de subterfúgios pseudo-racionais, e o mais conhecido deles é a negação de sua própria existência…

21/10/2005………21h55………porta batida e trancada…lar, adoro estar aqui sempre que posso, porém ao contrário do que pensava a sensação de mágoa intermitente não cessa, ao contrário, fica constante…sem a concorrência da desagradável sensação de umidade propiciada pela chuva que despenca aos borbotões lá fora…(sempre quis usar esta expressão). Eis então ela, novamente. Solidão esclarecida. Ninguém para escutar o que meus olhos gritam.

23/10/2005………19h47………”? + ! = ?!”

“Preciso de respostas para as perguntas que nunca tive coragem de elaborar…surge um pequeno elo novamente entre eu e o problema, e este elo pode cair novamente à qualquer momento. Não, não, não….não acho que este elo efêmero tenha realmente alguma valia…
Gostaria muito que isto tudo não passasse de um grande exagero.”
Nota 3: Um dia ainda vou misturar K. e H. com algum sucesso digno.
Nota Final : Infelizmente tudo é verdade….

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Uma Noite Qualquer…

Outubro 6, 2005 · Deixe um comentário

2:17…O teto esverdeado ocupa toda minha visão, deitado em uma confortável cama de formato perfeito, estou longe…embora talvez não devesse, continuo olhando para um ponto determinado, penso em diversas coisas, que divergem entre si, como usual…

2:22 …Uma simpática combinação de números…há ainda algum tempo para um cigarro, mas eu não fumo…o que não deixa de ter uma certa ironia.

2:25…A cidade me faz cada vez mais frio, frio como o sexo casual…mesmo quando não há casualidade, nós a fazemos, fazemos questão dela…

2:27…O ar é condicionado no recinto, tal como a manipulação completa de nossa sociedade, devo então suportar a manipulação que tenho conhecimento, a de nosso ambiente…afirmação racional? Talvez não, mas meu nariz concorda plenamente com este parágrafo.

2:31…Hora de sair deste ponto obscuro da cidade (e por que não de mim mesmo?), assim, levanto-me e recoloco minhas vestes cuidadosamente mal dobradas, postas em uma cadeira ao canto…

2:33…Então, depois do que creio serem mais de quinze minutos de silêncio, (de sons articulados, ao menos) dirijo-me à companhia feminina que momentaneamente divido a cama, é hora de acabar com aquilo:
- Largo-te no mesmo lugar de sempre?
- Sim, é conveniente.
Companhias aleatórias nas madrugadas de Sábado, uma das características que sempre admiro é a pouca disposição à conversar…de fato há uma certa sabedoria nisso, pois de qualquer modo não há o que ser dito…creio sim ser um ótimo momento para se pensar…só não digo que não é o melhor momento por haver empate com os relaxante minutos reflexivo-filosóficos que a privada de banheiro nos proporciona depois de todos os almoços…
Mas voltando…

2:47…Sozinho, novamente, acelero o carro pela avenida, avançando perigosamente todos os sinais vermelhos…entre uma buzinada e outra me vem uma certeza, e a cada dia mais inquestionável de que não sofrerei a transformação em um inseto nojento, como “naquele” livro do Kafka…pelo simples fato de que todos já viramos algo parecido com ele a um bom tempo…algumas pessoas perceberam, a maioria não…

2:49…Um inseto voador se espatifa contra o vidro do carro em alta velocidade na madrugada, ocasionando uma detestável mancha no local…uma borboleta bêbada, penso eu.
Bêbada.

2:51…Uma idéia, paro então em uma loja de conveniência, um refúgio existencial (ta bom, forcei) nestas madrugadas de início de Primavera…uma garrafa de vinho, algumas cervejas…

2:53…Decido, então, ir diretamente para os recônditos do lar…podemos não ser muito diferentes daquele inseto que se choca contra o para-brisas do carro, mas seria um tanto ilógico morrer de forma parecida com a dele…pelo menos não já nas primeiras horas de um Domingo.

3:11…Já na minha tradicional cama retangular, medito as últimas horas…concluo, ou melhor, raciocino (quem sou eu para concluir algo nesta altura da vida?) que decididamente, às vezes seria muito melhor que não amanhecesse o novo dia…assim adormeço.
Amanhece o novo dia, quase esqueço, mas…sim, pego no cabide a minha máscara para voltar ao convívio deste grande ninho de insetos…

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