Entradas do Junho 2005
Uma crise existencialista recorrente sempre leva à quebra de paradigmas estabelecidos numa crise anterior.
A cada crise temos uma razão, um estreitamento com alguma dúvida interna, soterrada em nosso “eu”…eis que tal objeto emerge inesperadamente.
Uma dúvida, uma dor…como posso viver três dias sem meu amado computador? Alguém tem noção do que é passar um Domingo chuvoso e mcasa, sem um computador?
O que restou foi deitar na cama, e, deprimido, deixar rolar uma lágrima amarga, ao som de Radiohead e Smiths.
E este foi apenas o primeiro de três longos dias.
Esta é uma das ocasiões da vida em que se pensa concretamente na hipótese de se cortar os pulsos ou se jogar de um prédio.
P.S 1 – Ainda mantenho uma garrafa de vinho reservada para alguma ocasião especial.
P.S 2 – Dei uma garrafa idêntica para um colega de faculdade, o qual pretende abri-la no seu próximo aniversário de “casamento”.
P.S 3 – Como é factual e notório que é extremamente difícil eu encontrar e manter um relacionamento com alguma moça alter-existencialista, a garrafa vai acabar azedando se eu esperar tal fato semelhante para abri-la.
P.S Final – Conclusão – É mais sensato eu tomar a garrafa na comemoração do retorno do meu computador.
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Meditando. Em uma desconfortável cadeira sem enconsto, defronte a uma (também desconfortável ao par de órgãos que visualizam o exterior) tela emissora de luz.
Um objeto de plástico com dezenas de teclas ao alcance das mãos. A luta prestes a começar. A infindável batalha contra a letargia é vencida.
Batalhas, batalhas e mais uma vez batalhas. A cada dia que se passa eu compreendo cada vez mais e mais o quanto cada dia de vida acabou por se tornar um ato de uma grande…batalha.
Estes dezesseis metros quadrados de espaço no qual vivo nunca apareceram tão acolhedores…
Os números contidos naquele livro em cima da cama nunca apareceram tão ameaçadores…
E pessoas que vão ressurgindo do passado ajudam a mente a avaliar os dias presentes e repensar os dias futuros…
Procurando fugir do equilíbrio, para paradoxalmente procurar manter o equilíbrio, esta é a lógica do discurso. A receita para se sobreviver com dignidade aos dias correntes.
Augusto dos Anjos – Suprême Convulsion
Sonho, – libertação do homem cativo –
Ruptura do equilíbrio subjetivo,
Ah! Foi teu o beijo convulsionador
Que produziu este contraste fundo
Entre a abundância do que eu sou, no Mundo,
E o nada do meu homem interior!
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…acordando de um sono rápido, tudo gradualmente começa a fazer algum sentido, a casa escura ajuda no contraste existente entre essa fugaz luz interior de sabedoria e a madrugada sem lua…
….com o ato de abrir a janela se observa uma rua escura e silenciosa, com ocasionais ecos de carros que circulam em uma Avenida não muito distante…
…..a solitária luz de um poste que relutantemente tenta iluminar às sombras tem sua própria solidão existencial atenuada (ou agravada) pelo contato de misteriosos insetos noturnos que circundam mas nunca pousam naquele facho de luz…o estado eterno de admiração e negação de uma paixão…
……os seres humanos se circundam no dia-a-dia, quem sabe com uma certa admiração pelo outro, tal como os insetos e a claridade, porém, tal como o exemplo…
…….mentir para si é fácil demais, e a covardia é uma constante…
……..as paixões humanas são muito mais parecidas com a paixão que o inseto nutre pela luz d oque nós gostamos de admitir…e esta semana eu entendi isso perfeitamente…
………a súbita sabedoria de um solitário despertar noturno costuma ter mágicos momentos de reflexão e transcendência…
……….o lastimoso é que tudo se esvai quando rompe a aurora.
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Não seria um exato começo, muito menos um recomeço. Este espaço, na melhor das hipóteses, será uma espécie de continuação de meu blog anterior (http://willdalosto.blig.ig.com.br). Na verdade até há pouco sequer havia definido um nome para este espaço e espero que o atual nome não soe deveras pretensioso, mas não resisti, o fato é que na dúvida entre um nome simples, acabei por optar pelo composto.
Os assuntos tratados serão as já conhecidas filosofanças intermitentes ™, seguidas de eventuais comentários sobre livros, filmes e músicas. Não, é claro que não me esqueci das também recorrentes crises existenciais.
Enfim, é sempre a mesma história, um homem deprimido que venceu a depressão e se tornou um homem amargo como chimarrão.
Esperando pela chuva ou contraponto etílico-existencial.
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