Bem, cá estou de volta. Não surtei, não morri, tampouco desisti. Os últimos 3 meses foram de dedicação exclusiva a minha monografia de conclusão da Faculdade. Agora chega de autores cretinos sobre determinadas realidades que só existem nas mentes acadêmicas. Voltemos à vida. Brindemos!
As I Sat Sadly By Her Side
Abril 1, 2009 · Deixe um comentário
Para animar este nublado dia em Porto Alegre…
“And God does not care for your benevolence
Anymore than he cares for the lack of it in others
Nor does he care for you to sit
At windows in judgement of the world He created
While sorrows pile up around you
Ugly, useless and over-inflated”
→ Leave a CommentCategorias: Entretenimento · Música
“ego and trip” ou “dois fragmentos de um ponto doc”
Março 30, 2009 · 1 Comentário
Me refugio do calor reinante da cidade dita-maravilhosa em uma refrescante viagem de metrô que vinha da realidade, fazia escala no desespero e levava a uma proposta de esperança.(aqui tratando com uma forma carinhosa as distintas regiões da metrópole)
É sempre um pouco estranho marchar na areia da praia; não que a dificuldade se baseie nas características físicas da areia, mas sim devido a impressão de que todo o universo pára e te vigia naquele momento, ciente de sua condição de peixe fora d’água, afinal, meu Rio é outro, mais ao sul, um Rio no qual um cenário agradável como uma praia tem papel bastante coadjuvante…mas isso não vem ao acaso.
O calor me oprimia e não me deixava raciocinar com clareza, com exceção de um único e intermitente pensamento:
“Frio, amigo? Onde tu andas? Penso e vivo melhor contigo, ou penso que vivo melhor?“
___________________________________________________________________________________________________________
Antigamente eu odiava, mas hoje em dia eu simplesmente sou apaixonado por viagens aéreas noturnas. Odiava pois a única coisa interessante da viagem era ver a humanidade em seu planeta, em sua verdadeira forma, pequenos e insignificantes; o que é impraticável à noite….mas justamente nesse momento, altas horas, meus companheiros de viagem ficam quietos, dormem (inclusive seus rebentos barulhentos), passo a conseguir escutar meus pensamentos com uma clareza fantástica, como se 8 mil metros de altura os potencializasse sem ter que praticar o uso de substâncias ilícitas.
Espio a minúscula janela, escutando Jarre, imaginando que aquele trovão longínquo pode, numa cena chocante, me atingir…(o que em algum(ns) momento(s) em específico eu poderia desejar com toda a força)…desprezando os pontinhos alaranjados das luzes de alguma cidadezinha minúscula lá embaixo. Observo as imensas nuvens bem de perto, em primeira mão, forçando a vista e a imaginação atrás de alguma esperança ou verdade (mesmo que seja desagradável, uma verdade ainda é uma verdade) sem os intermediários da turma da batina lá de baixo….mas enfim, meu devaneio se aprofunda quando entramos em alguma nuvem densa, daquelas em que não se enxerga um palmo além da janela, ao mesmo tempo em que me oferecem alguma porcaria que provavelmente atacará o fígado durante a madrugada, mas a qual aceito, para tentar esquecer a falta que o cigarro me fará nas horas restantes de voo. Em vão.
Então só me resta fechar os olhos e aguardar o momento em que meus ouvidos estalarão, anunciando de forma natural, meu retorno a condição de habitante de um pontinho de luz alaranjado.
→ 1 ComentárioCategorias: Devaneios · Egotrip
reconhecimento, ainda que tardio
Março 3, 2009 · Deixe um comentário

Ficou muito bom, embora eu não use óculos a mais de um ano.
→ Leave a CommentCategorias: Frivolidades
Eu gosto do gosto…(ou: eu gosto do gôsto…)
Março 1, 2009 · 3 Comentários
Prólogo
1990
Cenário: Will Dalosto amadurecendo sua leitura.
“Po…oorrr..to Ale…alegre…”. Porto Alegre. Tá certo mãe?”.
“Sim filho, mas não lê esse livro velho não, não se escreve mais Pôrto Alegre, assim com o chapeuzinho… tu vai aprender errado.”
Naquela altura eu pegava qualquer coisa que aparecesse na minha frente para juntar as letras e decifrar a palavra, razão pela qual eu havia xeretado na nossa pequena biblioteca doméstica e me apropriado de qualquer livro que me viesse a frente, no caso um livro velho escolar da minha mãe, dos anos 60.
Esclarecendo um pouco, 80% dos livros que tínhamos eram daquela época. O engraçado, então, foi ter sido praticamente alfabetizado em casa com livros de grafia desatualizada, mas claro, sempre me sendo apresentado o que não era mais válido ortograficamente. Mas, ah! Eu gostava do Pôrto, do Cafèzinho (essa crase virada no meio da palavra era um charme), conheci suficientemente o gôsto e a sêde para sentir que elas não deveriam ter sido supridas em 1971.
Aquela coisa de tal palavra não ser escrita de tal forma, mesmo que estivesse ali, impressa, sempre me chamava atenção. “Era assim, mas não é mais”. Resolvemos escrever as palavras de tal forma, até que por algum motivo resolvemos que não nos servem mais daquele modo e mudamos.
Sinceramente, por algum milagre deu tudo certo e nunca me confundi com essa duplicidade.
2009
Faz, neste exato dia, dois meses da entrada oficial das novas normas. Quando soube dela eu pensei: “bem, vamos fazer algo para melhorar a língua”, porém, logo após, soube que a reforma era elaborada para fins comerciais, a dizer: não haver maiores discrepâncias; além dos inevitáveis regionalismos, entre o nosso Português Brasileiro, o Luso e o Africano; facilitando enormemente a vida do mercado livreiro como um todo. Os portugueses bem que espernearam, gritaram e choraram por mais um golpe no maior patrimônio cultural que eles legaram (mesmo que me dê vontade de encher a cara de socos de quem inventou quatro “porquês” distintos), mas não adiantou: quase duas centenas de milhões de leitores potenciais (como se dez por cento de fato tivessem qualquer hábito de leitura) pesaram mais do que dez milhões portugueses, o tamanho da população do Rio Grande do Sul.
O dinheiro fala, e ele disse: ”Fodam-se, gajos! Aproveitem e comprem uma edição do Houaiss para irem se acostumando com o ‘brasileiro’ – como lá dizem).
É, deve ter sido duro de engolir.
Agora uma análise mais focada:
Por favor: “voo”? Isso é a coisa mais bizarra que vejo desde os “p” mudo do português luso. Aliás, forçamos eles a acabar uma aberração e empurramos uma nova….(Equívoco: Essa forma já era usada em Portugal – Agradecimentos a Karina R. pelo esclarecimento)
“Li no Diário Gaúcho que o voo não tem mais acento. Todo mundo de pé, gurizada !” (cena provável de alguma turma andando de avião pela primeira vez, em algum aeroporto).
Ainda acho meio estranho “ideia”, “jiboia” e afins, mas é menos sofrível do que a tal duplicação de erres, como no caso do “contrarregra”…o que as pessoas não fazem para não colocar um bendito hífen numa palavra.
O trema? Bem, eu – como todos – nunca dei muita atenção para os simpáticos pontinhos gêmeos…em verdade continuo sem dar a mínima para eles, que seguem sendo colocados pelo Office por tempo indeterminado.
O fim do “pára” acentuado (ordem de parar) é meu maior inconformismo. Como diferenciar ele do “para” comum, de preposição? Esse é, para mim, o maior erro desde o fim do “gôsto” e da “sêde”. “Ah, mas tu tem que ver o contexto da palavra na frase”. Ora, francamente, metade do povo desse país é analfabeto funcional e querem exigir o tal do “contexto”? Vão perguntar se é comer.
______________________________________________________________________________________________________________________
Em suma, se quiseram melhorar e facilitar o resultado ficou bastante discutível.
Eu? eu sigo escrevendo pela grafia antiga até quando me for permitido; e ainda é, por lei, mais um par de anos.
→ 3 ComentáriosCategorias: Reflexões · Relatos
“les misérables dans un rêve d’une nuit d’été”
Fevereiro 18, 2009 · 1 Comentário
Em meio ao beco escuro, em uma noite que beirava a uma espécie de releitura da era glacial, vi aquele senhor espreitando atrás de um poste de lampião queimado; não tive tempo de o temer, pois – de fato – percebi que estava com mais temor do que eu. Percebi, logo após, que aquele pequeno volume que carregava às costas não era nenhuma mochila de sobrevivência, e sim uma pequena garotinha, de uns 7 anos, creio.
Após aparentemente perceber que eu não era nenhum dos seus perseguidores, ele seguiu avançando pelo beco. Evitando fazer barulho de passos, ele caminhava rapidamente de uma forma que parecia um espectro, quase flutuando sobre o calçamento.
Subitamente entendi o que ele temia, dei alguns rápidos passos em sua direção e sussurrei: “por aí não..por aí não…ele vai te pegar, está te esperando com uma emboscada logo adiante.”. Ele parou e, de fato, vislumbrou a uma longa distância, em uma rua iluminada aonde o beco findava, uma sombra alta e ameaçadora que felizmente não nos enxergava, pois a medonha escuridão do beco nos protegia. Senti seu desespero por alguns instantes (não havia por onde fugir), até o momento em que ele notou uma abertura a determinada altura de um muro de uma casa vizinha ao beco. Na mesma hora entendi o que ele queria e me ofereci para segurar a garotinha enquanto ele escalasse aquela irregular parede, ao que ele em um primeiro momento fez menção de recusar, mas provavelmente sentindo que outra opção era inexistente, permitiu. Fiquei admirado com a destreza daquele senhor, que devia estar beirando os cinquenta anos – um palpite; escalando o muro até aquela saliência. Ao ver que ele conseguira, estiquei-me e devolvi-lhe a pequena até seus braços. Ele agradeceu do fundo do coração (eu senti que era verdade), e sumiu nas trevas daquele vão na parede, adentrando em algum pátio, ou assemelhado…enfim, algum lugar seguro.
Segui meu caminho no Beco até o já mencionado fim do mesmo, na rua iluminada; ao chegar a esse ponto, deparei-me com a origem daquela sombra alta avistada anteriormente: um oficial de polícia, que ao ver-me fez uma educada saudação, e perguntou se eu não havia cruzado com um senhor suspeito naquele beco, ao que eu respondi: “senhor oficial, isso é um tanto relativo, para mim todos são senhores suspeitos a esta hora da noite, inclusive o senhor…e quiçá eu mesmo”. Ele, julgando estar falando com algum pândego,ordenou que eu desaparecesse de sua frente, ao que eu obedeci imediatamente: não queria passar a noite na prisão.
Um pouco mais adiante virei-me para trás e vi que o oficial havia desaparecido: entrara no beco, na continuação de sua busca? Eu não sabia. Tratei de seguir meu caminho, não gostava de interferir nas grandes histórias, enquanto resmungava : “maldito Javert”.

_____________________________________________________________________________________________________________________________
Acordei.
4h da madrugada, adormeci lendo, e o livro agora estava caído ao lado da cama. Peguei-o, e coloquei no costumeiro local dos livros de cabeceira. Ah, “Os Miseráveis”, desde a leitura de “Os Irmãos Karamazóv” meu subconsciente não invadira tanto a imaginação alheia do século retrasado. Mas, mesmo assim, ainda grogue por recém ter despertado de um sono profundo, ponderei: “oras, eu me sentiria um verme se permitisse que capturassem o Jean Valjean com a coitadinha da Cosette a tiracolo….”.
→ 1 ComentárioCategorias: Literatura · Sonhos · Textos


