Fênix (Final)

Stairway to Heaven…

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A humanidade perde seu delírio de grandeza, vista de cima, ao mesmo tempo em que retoma sua harmonia – a tanto tempo perdida – com o restante do planeta. Tal pensamento me ocorre juntamente com um sorriso de satisfação, sempre que vou neste lugar especial, em Rivera; no topo de uma escadaria. Adotei esse local para recarregar as baterias nos domingos de tardezinha, vendo o pôr-do-sol, tomando um bom chimarrão.

Fênix (III)

Dos cataventos….

Na época da minha mudança, em que fiz muitas viagens entre Dom Pedrito e Livramento, através da BR293, seguidamente deparei-me com enormes caminhões transportando peças gigantescas para a Usina Eólica em construção – no Cerro Chato, a 30km de Santana do Livramento – , o que despertou minha atenção para conhecer o local.

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Já estive lá duas vezes. Lamentavelmente nunca peguei um dia de sol, mas tal adversidade nunca prejudicou a imponência dos belos cataventos.

Fênix (II)

Algumas considerações sobre Santana do Livramento…

 

Quanto à questão estrutural…

 

A quantidade de ruas asfaltadas em Livramento me proporcionou uma sensação de alívio. Felicidade eu senti quando vi um Big logo na entrada; o que me fez sentir menos peixe fora d’água.

Tais boas sensações quase foram a pique quando voei, em meu carro, por cima de um quebra-molas que simplesmente não fora devidamente pintado no asfalto.

Na mesma semana, escutando a um programa de rádio, o prefeito era indagado quanto à falta de pintura do referido redutor de velocidade, a qual respondeu que todos sabiam que havia aquele quebra-molas ali, portanto bastava reduzir a velocidade…

Aliados a isso, a escuridão das ruas por motivo das lâmpadas queimadas e não trocadas e os buracos de certas ruas (alguns deles tão antigos que creio que sejam tombados pelo patrimônio histórico) me fizeram perceber o quanto Santana do Livramento é uma cidade terrivelmente má administrada.

Uma pena.

 

Quanto à questão cultural…

 

Livramento é conurbada à cidade uruguaia de Rivera – na prática ambas são uma só cidade, separadas por uma rua – porém, se a distância física é inexistente, a distância cultural é marcante : desde a forma de viver das pessoas das duas cidades, até mesmo ao tipo de pavimento das ruas (muito superior no lado uruguaio).

No Rio Grande do Sul estamos acostumados a dualidade esportiva do Gre-Nal; aqui na região somos apresentados a mais dois atores marcantes: o Peñarol e o Nacional (perceptivelmente noto mais torcedores do Peñarol, mas não sei explicar se há fundamento em tal percepção – talvez pelo uniforme ser muito mais chamativo, em cores amarelo-negras). Também é interessante notar que muitas pessoas do lado do Brasil adotam, além de um time da dupla gre-nal, um dos times uruguaios para torcer (não é meu caso).

De fato há certo grau de rivalidade saudável – geralmente calcada no futebol – entre os dois povos, porém, homem prático que sou, me torno alheio a elas, vivendo nas duas cidades como uma única urbe.

Fênix (I)

Praticamente dois anos sem postar neste espaço.

Neste intervalo sabático, no qual perdi a inspiração para a escrita, permaneci de janeiro de 2010 a junho de 2011 em Dom Pedrito; situação a qual poderia muito bem ter me inspirado a escrever minha versão pessoal das memórias do cárcere ou das recordações da casa dos mortos. Não escrevi. Sempre escrevo sobre minhas impressões sobre as pessoas, sobre fatos acontecidos. Mas nesse meio tempo não conheci ninguém digno de nota (com raríssimas exceções) e muito menos aconteceu nada….por que simplesmente nada aconteceu na já citada cidade durante esse tempo. Penso eu que nada tenha acontecido nos últimos 150 anos, na verdade.

Consegui ser transferido para Santana do Livramento no dia 30 de junho. Recordo-me bem da semana fria na qual fiquei hospedado em um hotel, tratando dos aspectos burocráticos da mudança. A chuvarada que não dava trégua nenhum instante parecia um prenúncio de coisas ruins que poderiam acontecer.

Felizmente não foi o caso.

A Praça

Nas cidades há uma tendência de existir uma praça central. Se fizermos uma reflexão histórica, este tipo de ponto urbano pode ser relacionado ao local em que tudo começou naquele agrupamento humano. No contexto da nossa formação histórica, ali é o centro de tudo por ter sido o local aonde foram construídas a igreja e a sede do governo, enquanto o amplo espaço defronte estes edifícios é ocupado pela população, temendo a autoridade dos poderes divinos e dos terrenos.
Pode mesmo ser o ponto agregador onde todos se reuniriam e decidiriam os rumos da urbe, seguindo um aspecto mais “grego” da coisa.
Claro que com o advento da democracia representativa (nossos vereadores, deputados, senadores, etc…) o aspecto democrático das nossas praças perderam, teoricamente, o sentido.
Ou não.
Aqui no Condado, como em qualquer cidade do interior, as pessoas se reúnem sem combinação prévia para uma espécie de exposição pública, não mais de idéias, mas sim uma exposição pública da sua própria existência (usando as roupas, como essência) como indivíduos.
Tais eventos ocorrem, principalmente, na praça central da cidade aos domingos de noite.
Há uma espécie de acordo coletivo, nunca formalizado, de que metade da cidade – em pequenos grupos – caminhará voltas sem sentido ao redor da praça, enquanto a outra metade se acomoda nos bancos, observando atentamente os primeiros que caminham. Seria uma espécie de troca da democracia das idéias pela democracia visual.
Nunca há um lado vitorioso, aliás, cada um ali é candidato de si mesmo, com intenções de voto evidentemente pouco idôneas.
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Ainda vou entender o sentido da coisa toda. Ainda vou entender a vida no interior.

Longe Demais da Capital

Mais um tempo desaparecido, mas desta vez com justificativas.
Resido em Porto Alegre desde meu nascimento, um quarto de século atrás. Passei em um concurso público para a Universidade Federal do Pampa e tive que me deslocar para uma pequena cidade aqui do interior do Rio Grande do Sul: Dom Pedrito, fronteira com o Uruguai.
Nestes dois meses nem me passou pela cabeça uma “adaptação”, pois não sou exatamente do tipo adaptável; sigo a linha de responder aos pacatos e incautos nativos: “não moro aqui, moro em Porto Alegre…apenas trabalho longe de casa…“. Felizmente todos percebem o teor cômico da afirmativa e não se ofendem.
Dom Pedrito por vezes me lembra uma cidade cenográfica daquelas novelas da Globo, em uma versão rural perdida no meio da Região da Campanha.
Mas o bom é que isso talvez renda alguns bons textos por aqui. Novos ares, novas ideias.

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Aproveito o dia de hoje, aniversário de 238 anos de Porto Alegre, para dizer o quanto sinto sua falta.
Meus amigos e conhecidos vão apontar uma certa incoerência da minha parte, pois sou conhecido por criticar abertamente a nossa cidade, mas minha relação com a minha terra natal é como uma relação “tempestuosa” de namorados que vivem brigando, mas basta pouco tempo distantes para sentirem uma falta terrível um do outro.
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Mas dá no mesmo, afinal já expliquei que continuo morando lá, só trabalho longe de casa….

1985

Naquela época caminhava-se distâncias até achar um telefone público – movido a fichas – para se fazer uma ligação qualquer, pois simplesmente só pessoas com posses os tinham em casa, pelo menos aqui em Porto Alegre.
Porto Alegre tinha ônibus velhos, sucateados e imundos – por outro lado a minha casa tinha um portão bem baixo, e os vizinhos sentavam e tomavam chimarrão em cadeiras na calçada….de noite.
Meu pai tinha um fusca verde, motor 1500, e concorria a um consórcio de um video cassete de…sei lá: meia-cabeça?
As bandas que estavam no auge aquele ano eram o The Cure, os Smiths e o Dire Straits. Foi também o ano do Live Aid, que faturou milhões para a África, mas quase nada do dinheiro chegou algum dia lá.
O regime militar dava seus últimos suspiros, Figueiredo já estava ansioso para passar a encrenca adiante para o Tancredo Neves, presidente “eleito” que – se não sabemos se seria um presidente relevante pelo menos nos livraria do Sarney e seus cruzados.
Nos mapas ainda constava a União Soviética, e as pessoas temiam – dizem – uma guerra nuclear iminente entre ela e os EUA. Não sabiam que teriam saudades de quando o maior problema do mundo era esse.
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Um quarto de século. Quando falo soa engraçado, mas quando vejo escrito soa algo tão solene e empoeirado.

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